240 anos depois: quando Goethe atravessou o Brennero em sua Viagem à Itália
Há 240 anos Goethe atravessou o Brennero em sua Viagem à Itália; recordamos a travessia, o relato e o marco gravado em mármore em 1925.
RESUMO ✦
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240 anos depois: quando Goethe atravessou o Brennero em sua Viagem à Itália
Como uma anfitriã que abre a janela para a montanha, convido você a respirar essa memória: exatamente 240 anos atrás, em 8 de setembro de 1786, Goethe alcançou o passo do Brennero, primeiro fôlego italiano de sua famosa Viagem à Itália. Naquele entardecer alpino, o poeta escreveu: "Ora aspetto che il mattino rischiari questa gola rocciosa in cui mi trovo rinchiuso al limite tra il Sud e il Nord" — palavras que nos levam a ver a luz dourada filtrando-se pela garganta das pedras.
Hoje, uma laje de mármore colocada em 1925 ainda celebra esse momento, gravando o nome do autor em sua forma italianizada: "Giovanni Volfgango Goethe". É um pequeno sussurro de história na paisagem, um marco que convida a imaginar a carruagem subindo, os cascos batendo no empedrado, a sensação de fronteira entre mundos.
No diário da sua jornada — essa verdadeira "rinascita" pessoal — o escritor conta a pausa nessa passagem. Quis desenhar a estalagem, a casa das correias no Brennero, mas não ficou satisfeito com o esboço. Voltou para casa, de mau humor, até que o oste o persuadiu a partir novamente durante a noite: a lua brilhava e a estrada estava boa. Goethe nota, com ironia afetuosa, que o incentivo do hospedeiro não era desinteressado; ele precisava rapidamente dos cavalos para outros viajantes.
Seguindo rumo ao sul, o poeta registrou impressões sensoriais que soam quase como pintura: ficou marcado pelo "colorito bruno pallido delle donne" na valle Isarco, uma tez que ele percebeu como sinal visível da miséria local. Ao chegar a Bolzano, porém, encontrou traços que lhe agradaram — uma cidade onde as luzes e as fachadas lhe devolveram certa calma e curiosidade.
Como curadora de experiências, eu, Erica Santini, vejo nessa travessia não só o movimento físico, mas um deslocamento íntimo: Goethe cruzando o Brennero é o rito de passagem entre o norte e o sul, entre o rigor alpino e o convite mediterrâneo. Andiamo: é o momento em que o poeta, carregando os sentidos em alerta, começa a saborear a Itália — o cheiro do feno nos vales, o vento que conta histórias nas pedras, a textura do tempo nas paredes das vilas.
Hoje, ao visitar o monumento e percorrer a antiga rota do passo, sentimos o mesmo arrepio de descoberta. Não é turismo de catálogo; é um convite ao "Dolce Far Niente" da história, a saborear cada detalhe como se estivéssemos folheando as páginas do seu diário. Ciao, e venha experimentar esse trecho de renascença literária e paisagística no coração das Dolomitas.

