Tutto Boetti: da Magazzino a New York — a viagem sensorial pelo universo de Alighiero Boetti
Exposição 'Tutto Boetti 1966-1993' abre em 26/04 no Magazzino, Cold Spring: uma imersão sensorial na obra de Alighiero Boetti.
RESUMO ✦
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Tutto Boetti: da Magazzino a New York — a viagem sensorial pelo universo de Alighiero Boetti
NEW YORK, 10 de abril de 2026 — Sou Erica Santini, sua alma ítalo-brasileira de viagem e cultura, e convido você a saborear a história de um artista que reinventou o gesto mínimo em poesia visual. A partir de 26 de abril, o Magazzino Italian Art, em Cold Spring, no coração do Hudson Valley, abre as portas para uma mostra ambiciosa: Tutto Boetti 1966-1993. Uma exposição que promete ser, como diz o título, quase total — uma jornada que atravessa décadas da inventiva e inquieta obra de Alighiero Boetti.
Depois das mostras dedicadas a Piero Gilardi e Michelangelo Pistoletto, o foco do museu e centro de pesquisa volta-se para um dos nomes indissociáveis da Arte Povera. A curadoria reuniu peças que dialogam entre si: obras que surgiram na Turim experimental dos anos 1960 e aquelas que nasceram do encontro com o Afeganistão — onde as célebres mapas têxteis foram tecidas por mãos locais, transformando geografia em bordado, política em textura.
O percurso expositivo inicia com trabalhos de 1966 que já anunciam o pensamento do artista: objetos técnicos convertidos em enunciados conceituais. Peças como Triplo Metro e Asta di Misurazione transformam instrumentos de medição em esculturas do pensamento. Dois trabalhos, em particular, dominarão o espaço físico e sensorial: Pavimento Luminoso e Mazzo di Tubi, ambos de 1966. O primeiro, uma plataforma de madeira iluminada por dentro, dissolve os limites entre escultura e arquitetura; o segundo, um arranjo de tubos industriais, faz o concreto conversar com o gesto mínimo.
As obras em exibição provêm de diferentes proveniências: parte do acervo permanente do Magazzino, outras vindas dos herdeiros de Boetti e de uma coleção privada de grande importância. Esse encontro entre coleções permite ao visitante percorrer, com calma e curiosidade — quase um Dolce Far Niente artístico —, as metamorfoses de um artista que soube unir leveza e rigor, ironia e devoção pelo ofício.
Andiamo: a mostra promete não apenas mostrar objetos, mas provocar experiências. Imagine o perfume do tempo nas fibras de um bordado afegão, a luz dourada que atravessa o Pavimento Luminoso, a textura do metal em Mazzo di Tubi. É um convite para ouvir, tocar com os olhos e navegar pelas tradições reinventadas por Boetti. Para quem ama arte que se faz lugar, que habita o corpo e a memória, esta é uma notícia que acende o desejo de viagem e contemplação.
Se você estiver por Nova York ou planejando uma escapada ao Hudson Valley, marque esta data: 26 de abril. Leve consigo a disposição de se deixar surpreender pelo entrelaçar de mapas, tubos, luz e silêncio. Ciao, e até lá — traga atenção, curiosidade e um paladar sensorial para degustar cada obra.
(Reportagem inspirada na cobertura original de Alessandra Baldini para ANSA.)