Valência limita casas de férias: cidade impõe teto por bairro para conter 'touristflation'
Valência limita casas de férias a 2% por bairro e impõe teto de alojamentos turísticos para proteger moradores e conter a 'touristflation'.
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Valência limita casas de férias: cidade impõe teto por bairro para conter 'touristflation'
Ciao, viajante curioso — aqui é Erica Santini, trazendo a notícia com o olhar de quem saboreia cada rua como se fosse um prato tipico. Nesta semana, a Câmara Municipal de Valência aprovou um conjunto de regras destinadas a frear a expansão descontrolada de casas de férias e apartamentos turísticos por toda a cidade, uma medida pensada para preservar a vida residencial e a alma dos bairros.
As novas normas, formalizadas numa sessão plenária como alterações às normas de ordenamento urbanístico, estabelecem que as casas de férias e os apartamentos turísticos não podem ultrapassar 2% do parque habitacional em cada bairro e distrito. A proposta vem acompanhada de outros limites: o número total de alojamentos turísticos — contemplando hotéis, apartamentos e arrendamentos de curta duração — não deverá exceder o equivalente a 8% dos residentes registados em cada bairro e distrito, e, nas zonas residenciais, apenas até 15% de qualquer tipo de alojamento de férias será permitido nos pisos térreos dos edifícios.
María José Catalá, presidente da câmara, saudou a iniciativa como um passo pioneiro: «Valência é a primeira cidade em Espanha a impor um limite aos alojamentos turísticos», afirmou. Para Catalá, trata-se de «uma peça de uma estratégia muito mais ambiciosa, enquadrada na visão mais ampla da cidade de mudar de paradigma». «Não somos apenas uma cidade de sol e praia à procura de turismo de massas e baixo custo — somos uma cidade com um destino turístico urbano — e estamos a pôr ordem no caos dos últimos anos», acrescentou, numa mensagem que conjuga proteção residencial com a ambição de um turismo de qualidade.
O contexto é conhecido: Valência, tal como outras cidades espanholas — Barcelona em especial — tem visto grandes manifestações e protestos contra a sobrelotação dos centros urbanos e a pressão sobre o mercado da habitação, fenómenos resumidos na expressão anglófona «touristflation». Moradores reclamam paz, preços estáveis e a preservação do tecido social que torna cada bairro único.
Nem todos, porém, se sentem representados por estas medidas. Francisco Guardeño, da Federação de Associações de Moradores de Valência, alerta para a existência de um mercado paralelo: «Mais de 9.000 apartamentos turísticos funcionam ilegalmente» na cidade. «O principal sector de alojamento turístico da cidade, quase o dobro da oferta hoteleira, funciona na sombra. E é este o problema que a proposta que temos em mãos não resolve», disse Guardeño, sublinhando a necessidade de fiscalização e de soluções para a economia informal do alojamento.
Como curadora de experiências, eu penso nas implicações sensoriais desta mudança: menos apartamentos dispersos significam bairros onde se sente novamente a textura do tempo nas paredes, a voz dos vizinhos nas praças e o aroma das padarias ao amanhecer — um convite ao Dolce Far Niente, mas também à convivência. Andiamo: a proposta ainda terá de ser implementada e vigiada, e promete transformar a relação entre turismo e vida diária em Valência, buscando um equilíbrio entre receber visitantes e proteger a casa de quem vive aqui.
Enquanto isso, a cidade — entre laranjeiras e azulejos — abre um capítulo novo na gestão do seu encanto urbano. Será preciso ver como as medidas afetarão os proprietários, o mercado e, claro, o viajante que procura experiências autênticas, longe do turismo de massas.