Cirque du Soleil chega ao ChorusLife Arena com a magia acrobática de Ovo: um microcosmo de insetos em cena
Cirque du Soleil apresenta 'Ovo' na ChorusLife Arena em Bergamo: espetáculo reinventado sobre insetos acrobatas, com cenários novos e 53 artistas.
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Cirque du Soleil chega ao ChorusLife Arena com a magia acrobática de Ovo: um microcosmo de insetos em cena
Por Chiara Lombardi — A trupe canadense Cirque du Soleil retorna aos palcos italianos com a reinventada versão do seu clássico Ovo, em uma curta temporada que passa por Roma e desembarca em Bergamo, na ChorusLife Arena. A montagem, vibrante e caleidoscópica, oferece um verdadeiro espelho do nosso tempo: um espetáculo que, por meio da fábula dos insetos acrobatas, reflete sobre ciclos, comunidades e a plasticidade do corpo humano.
As apresentações em Bergamo acontecem em oito sessões: hoje (9 de abril) às 20h30; amanhã às 16h30 e 20h30; no sábado, com três sessões — às 12h30 (data adicionada pela grande procura), 16h30 e 20h30 — e no domingo às 13h30 e 17h30. A circulação curta e concentrada traduz a vontade do espetáculo de ser um evento coletivo e efêmero, quase como um filme exibido por poucas sessões no festival da cidade.
Estreado em 2009 no Grand Chapiteau montado no antigo porto de Montreal, Ovo já encantou mais de sete milhões de espectadores em 40 países. Agora, após meses de trabalho, a companhia apresenta uma versão remasterizada: cenografia e figurinos revisitados, novos números de acrobacias, personagens originais, dança e música reinventadas e uma energia renovada que dialoga com públicos de todas as idades.
No palco, uma equipe internacional de cem profissionais de 25 países — entre eles 53 artistas — constrói cenas que reconstroem uma jornada diária dentro de uma colônia de insetos. Ao centro, um gigantesco ovo (o próprio título, em português, é uma chave simbólica): símbolo do ciclo vital, da origem e do mistério, ele catalisa as transformações e encontros que compõem o enredo.
Os personagens trazem uma paleta de humano e fantástico: há uma joaninha, uma mosca e um besouro, grilos poderosos que saltam em trampolins bucólicos, uma aranha sedutora que dança hipnótica em seus fios, formigas-magistas que manipulam fatias gigantes de kiwi como se fossem burlescos objetos de cena, baratas fluorescentes, libélulas bailarinas que planam em altura e gafanhotos em tons fluo que escalam paredes verticais com impulsos elásticos. As crisálidas sinuosas e uma borboleta cujo número de contorção aérea borda o vazio com precisão quase têxtil completam o bestiário.
Além do virtuosismo técnico, Ovo aposta na clownerie e no espetáculo visual para estimular a imaginação de adultos e crianças — uma espécie de reframe da realidade onde o trivial se faz extraordinário. Graficamente, o próprio nome do espetáculo esconde referências: os dois "O" lembram olhos que observam esse microcosmo, sinalizando a mirada teatral sobre um universo minúsculo e revelador.
Assistir a Cirque du Soleil é, portanto, como ver um curta-metragem ao vivo: ritmo cinematográfico, enquadramentos que dependem do corpo em movimento e uma trilha sonora que guia afetos. Em tempos que pedem repertórios de esperança e surpresa, Ovo surge como um roteiro oculto da sociedade — feito de cooperação, risco e nascimento — e nos convida a olhar para baixo, onde uma pequena comunidade pode conter um grande espelho do nosso mundo.