Festival Trasforma em Bergamo: arte contemporânea e economia circular em cena

Festival Trasforma em Bergamo (10–26 abr): arte contemporânea e economia circular se encontram para discutir sustentabilidade e práticas culturais.

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Festival Trasforma em Bergamo: arte contemporânea e economia circular em cena

Como lembrava Lavoisier, «na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma». É com esse aforismo que nasce o Festival Trasforma, cuja primeira edição estreia em Bergamo entre 10 e 26 de abril. A iniciativa, apresentada em Palazzo Frizzoni, propõe um diálogo entre arte contemporânea e sustentabilidade, transformando espaços históricos da cidade em palco para discussões sobre o ambiente e práticas cotidianas.

No coração da Città Alta, duas localizações simbólicas acolhem a mostra coletiva: o Ex Monastero del Carmine e a Polveriera di San Marco. São sedici artistas — fotógrafos, escultores e pintores — cujas obras convidam a uma leitura sensorial e política do que chamamos hoje de economia circular. Mais do que uma exposição, o festival funciona como um espelho do nosso tempo, um roteiro onde a criação visual se torna ferramenta de sensibilização.

O evento é promovido pelo assessorato à Transição Ecológica, em colaboração com o Assessorato alla Cultura, e nasce do impulso coletivo iniciado na Giornata Mondiale della Terra 2025. Foi ali, reunidos Climarte, associações locais e artistas, que se fez clara a vontade de construir um evento que não apenas mostre obras, mas ative a sociedade: escolas, instituições culturais e organizações do terceiro setor foram mobilizadas para ampliar o alcance do debate.

Entre as iniciativas programadas, destaca-se o projeto Green School, com adesão de 23 instituições de ensino da província, e atividades que conectam o público a práticas concretas — do Politecnico delle Arti ao Orto Botanico, passando pela Cooperativa Ruah, Fondazione Sinergia e Plastic Free. O festival traduz a sustentabilidade não como tema isolado, mas como um modo de viver, um exercício diário que perpassa educação, consumo e cuidados coletivos.

Exemplos práticos do festival incluem o Swap Plant (11 de abril), uma ação que propõe dar uma segunda vida às plantas frequentemente descartadas antes do tempo; sessões dedicadas à recolha e gestão de resíduos; mesas-redondas sobre hortas coletivas; e conferências que abordam o consumo do solo e o impacto da guerra no ambiente. Cada evento funciona como um pequeno palco onde se entrelaçam estética e responsabilidade, formando uma narrativa — quase cinematográfica — sobre como as escolhas locais repercutem em ecossistemas maiores.

O Festival Trasforma surge, portanto, como um eco cultural: não apenas uma sucessão de exposições, mas um reframe da realidade que pede participação ativa. Em tempos em que a arte frequentemente relata o presente, aqui ela propõe também alternativas, apontando caminhos possíveis para uma convivência mais sustentável. Em Bergamo, os claustros e depósitos históricos se recoloriram com essa urgência — convidando o público a olhar para a arte como dispositivo de transformação.

Serviço: Festival Trasforma — de 10 a 26 de abril. Locais principais: Ex Monastero del Carmine e Polveriera di San Marco, Bergamo.