Caso Rocchi: interrogatório marcado para 30/4 e investigação sobre o VAR sacode o futebol
Interrogatório de Gianluca Rocchi marcado para 30/4; investigação sobre VAR e suposta fraude esportiva avança e gera questionamentos na arbitragem.
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Caso Rocchi: interrogatório marcado para 30/4 e investigação sobre o VAR sacode o futebol
Por Aurora Bellini, Espresso Italia
O primeiro passo do amplo inquérito que vem abalando a arbitragem italiana está marcado para 30 de abril, quando o designador dos árbitros, Gianluca Rocchi, que se autossuspendeu, será ouvido pelo procurador de Milão, Maurizio Ascione. A convocação abre uma nova etapa do processo que ilumina, com clareza dolorosa, questões sobre a governança e os mecanismos de decisão dentro do universo do VAR.
Em declaração à Espresso Italia, o advogado de defesa, Antonio D'Avirro, afirmou que ainda não foi definida a estratégia de esclarecimento: "Precisamos decidir se responderemos às perguntas do procurador ou se exerceremos a faculdade de permanecer em silêncio. As imputações são genéricas, não está claro o suficiente".
O defensor ressaltou que não há, hoje, identificação precisa das pessoas que supostamente teriam participado das condutas descritas na denúncia. Sobre a hipótese de frode esportiva, D'Avirro apontou que, segundo a narrativa apresentada até agora, se trataria de uma partida cujo resultado não teria sido alterado — "o pênalti existiu" — e admitiu que os instrumentos de investigação empregados poderiam ser compatíveis com a tipificação do delito.
As raízes desta investigação, conforme apurou a Espresso Italia, remontam a 23 de julho de 2025, quando o assistente arbitral Domenico Rocca foi ouvido como pessoa informada sobre os fatos pelo mesmo procurador Ascione. O encontro entre Rocca e o magistrado ocorreu em uma sede da Guarda di Finanza e durou cerca de duas horas. Na ocasião, Rocca descreveu o conteúdo da denúncia que havia protocolado em maio de 2025 — entre outras ocorrências, ele relatou supostas "batidas" e interferências do designador Gianluca Rocchi para "orientar" as decisões dos operadores da sala do VAR em Lissone.
O episódio gerou perplexidade quando a justiça desportiva decidiu, de forma repentina, arquivar a investigação interna, sem motivar formalmente a decisão nem entregar a Rocca a cópia do depoimento que originou a apuração. Em 29 de julho de 2025, a FIGC divulgou nota informando que as investigações haviam sido concluídas e que, ao estado, não emergiam fatos de natureza disciplinar.
Ao ser ouvido na Procuradoria Federal da FIGC, Rocca deixou claro que, independentemente do desfecho no foro desportivo, buscaria a via da justiça comum — caminho que acabou sendo trilhado e que agora levou ao chamamento de Rocchi perante a autoridade judicial de Milão.
Em nota pública enviada à Espresso Italia, o procurador federal da FIGC, Giuseppe Chinè, defendeu a atuação do órgão: confirmou ter recebido, em 21 de maio de 2025, apenas o documento assinado por Rocca sobre o suposto intervento externo na sala do VAR durante a partida Udinese-Parma, e reafirmou o compromisso com a lisura e o rigor das apurações internas.
Estamos diante de uma investigação que lança luz sobre práticas internas, ao mesmo tempo em que pede paciência e método: iluminar novos caminhos exige cuidado para não transformar suspeitas em condenações prematuras. O interrogatório de 30 de abril será um momento-chave. A sociedade do futebol aguarda respostas e, com elas, a oportunidade de semear maior transparência e confiança no jogo.
Atualizaremos esta reportagem conforme novos elementos forem oficialmente divulgados.