Aryna Sabalenka abre o coração: da perda do pai ao suicídio do ex e o ódio nas redes sociais
Aryna Sabalenka revela perdas pessoais, ataques nas redes sociais e a preparação para o Roland Garros em entrevista intensa à Vogue.
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Aryna Sabalenka abre o coração: da perda do pai ao suicídio do ex e o ódio nas redes sociais
Por Aurora Bellini, Espresso Italia — Em um ensaio que mistura força e vulnerabilidade, a Aryna Sabalenka, atual número 1 do mundo, falou longamente sobre carreira e vida pessoal em entrevista à Vogue. Com 28 anos recém-completados, a tenista bielorrussa se prepara para o Roland Garros, palco no qual foi finalista no ano passado, derrotada por Coco Gauff. Entre treinos e reflexões, Sabalenka compartilhou memórias, dores e a sua relação complexa com a exposição pública.
Na sessão de fotos que acompanhou a entrevista, a jogadora aparece elegante — top preto, saia semitransparente e saltos altíssimos — um retrato de quem é ao mesmo tempo modelo e atleta de elite. Mas o brilho das imagens contrasta com episódios difíceis que marcaram sua trajetória.
Ela recorda com sinceridade a derrota em Madrid de 2026, quando, pela primeira vez após uma sequência de 16 vitórias, perdeu uma partida em que desperdiçou seis match points contra a 32ª do ranking. "Não foi uma partida fácil", confidencia. "Naquela noite, eu sonhei com aqueles match points. Acordava pensando naquele ponto perdido."
Famosa por suas explosões de raiva em quadra, Sabalenka descreve uma reação diferente diante dessa derrota: aceitação e aprendizado. "Esse é o lado difícil de ser atleta: você não pode vencer sempre. Seu corpo te freia, te limita. Mas também aí está a beleza do esporte. É bom ver gente nova desafiar o topo — se uma só pessoa ganhasse sempre, perderia a graça".
A história dela no circuito profissional não é longa: há apenas uma década entrou no circuito internacional. Aos 19, venceu seu primeiro jogo em Wimbledon, mas o caminho foi pontuado por descrédito. "Muitos treinadores me disseram que eu era estúpida e que a única coisa que eu sabia fazer era bater na bola com força demais, que eu jamais entraria no top 100". Foi o investimento e a confiança do empresário bielorrusso Alexander Shakutin que mudaram o rumo: "Ele acreditou em mim e me ajudou de fato".
O vínculo com a Bielorrússia permanece claro. Lá vivem sua mãe e a irmã mais nova; seu pai morreu de forma súbita em 2019, enquanto ela treinava em Minsk. "Dizem que o tempo cura, mas agora sinto mais dificuldade, porque sei o quanto meu pai teria se divertido com meu sucesso", confessa. "Vejo pais orgulhosos no circuito e penso: aproveite esse momento, porque a vida é incerta".
Outra ferida recente é a morte por suicídio de seu ex-namorado, ocorrida dois anos atrás. O episódio somou dor a um percurso já marcado por perdas, sem, porém, apagar a determinação que a alçou ao topo do tênis mundial.
Sabalenka também não entende o ressentimento que recebe online: "Não sei por que as pessoas nas redes sociais me odeiam tanto". Para ela, há uma discrepância entre a imagem que as câmeras captam e a pessoa por trás da raquete — uma mulher que semeia talento e colhe responsabilidade.
Ao olhar para frente, a campeã exala uma luz prática: aceita os altos e baixos, reconhece o papel de quem a apoiou e cultiva a ideia de que o esporte ilumina novos caminhos — tanto para quem vence quanto para quem aprende com a derrota. Em nossas páginas da Espresso Italia, trazemos essa conversa como um convite a entender as complexidades humanas por trás do sucesso esportivo: a vitória também é construída na sombra das perdas, e é ali que nascem as sementes de um legado.