Dossiê revela que o CONI sabia do caos na dança há cinco anos; presidente da Fidems é investigada

Dossiê de 2021 mostra que o CONI sabia de irregularidades na Fidems; presidente Lunetta é investigada por fraude esportiva com Galvagno.

Dossiê revela que o CONI sabia do caos na dança há cinco anos; presidente da Fidems é investigada

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Dossiê revela que o CONI sabia do caos na dança há cinco anos; presidente da Fidems é investigada

Um documento interno que iluminou falhas e riscos ignorados durante anos veio à tona e reacende um debate sobre governança, integridade e responsabilidade institucional na Federação Italiana Dança Sportiva (Fidems). Trata-se de um dossiê reservado, datado de 18 de outubro de 2021, redigido pela área de Vigilanza e assinado por Dario Tozzi — hoje à frente da Vigilância da FIGC e da Lega Dilettanti — que foi encaminhado aos dirigentes federais da época (chefiados por Renzo Resciniti, então em exercício) e ao próprio organismo de fiscalização do CONI. Segundo apuração da Espresso Italia, o teor do relatório coloca em xeque o que foi feito desde então.

No documento de dez páginas, a Vigilanza descreve um quadro de «grave risco organizativo» e chega a esboçar treze hipóteses de ilícitos penais que poderiam recair sobre quem dirigia a entidade: da frode agravada ao riciclaggio (lavagem de dinheiro), passando por associazione a delinquere, emissione di fatture per prestazioni inesistenti e outros crimes, com impactos diretos na vida das associações, dos professores e dos atletas.

O que chama atenção, e que dá o tom do escândalo, é a menção à então vice-presidente e hoje presidente, Laura Lunetta. Nas gravações das reuniões de conselho citadas no dossiê, a Vigilância registrou que o papel de Lunetta «aparecia como diretto referente e portavoce do senhor Ferruccio Galvagno» dentro do conselho. Galvagno, figura central da investigação atual, havia sido excluído dos quadros em 2011 e depois reintegrado. Ainda segundo a Procuradoria de Roma, que incluiu Lunetta e Galvagno no registro dos indagati por frode sportiva, ele continua a ser apontado como o homem forte nos bastidores da federação.

Entre as práticas apontadas no relatório, destaca-se a outorga de delegas «em branco» a associações criadas e geridas por Galvagno — citam-se nomes como Midas e Promodanza — entidades que atuavam como órgãos paralelos de formação e promoção desportiva, em concorrência direta com a Fidems. A consequência prática foi severa: segundo a análise da própria Vigilância, aquela presença sombra levou a uma queda de 20% no número de sociedades afiliadas e de 25% nos tesserati (filiados), prejudicando a capacidade da federação de qualificar seus técnicos e de garantir receitas institucionais.

Entre os registros examinados pela Comissão, há um trecho contundente — que a Espresso Italia reproduz com o objetivo de esclarecer o contexto — em que o então direttore tecnico teria admitido: «Abbiamo perso il controllo sugli illeciti sportivi; così facciamo gestire tutto da un altro ente, diamo un milione a Midas o Promodanza e, se fanno imbrogli, non ci riguardano» — uma confissão que ilustra o abandono de deveres por parte de quem deveria proteger o sistema.

O dossiê recomendava intervenções urgentes e incisivas por parte tanto da federação quanto do CONI. O que o inquérito atual sugere, porém, é que pouco ou nada foi feito para mitigar os riscos descritos naquela época, e que as omissões favoreceram práticas que agora sustentam acusações formais.

À luz desses fatos, a presidente Lunetta declarou ter «massima fiducia nelle indagini» — uma confiança institucional nas apurações em curso — enquanto a montanha de documentos e gravações segue sendo analisada pela magistratura romana. Para quem observa de fora com olhos de curadora do progresso, trata-se de um chamado para que o esporte recupere a claridade e a ética que alimentam seu valor social: é preciso semear inovação na governança, iluminar novos caminhos de transparência e cultivar mecanismos que protejam atletas, técnicos e clubes.

O caso é, também, um alerta sobre como estruturas paralelas e interesses pessoais podem corroer instituições que deveriam servir ao coletivo. A esperança sofisticada que tento semear aqui é prática e exigente: apoiar investigações rigorosas, promover reformas estatutárias e recuperar receitas e formação técnica para que a dança esportiva volte a brilhar por mérito, não por privilégio.

Enquanto a Justiça e os órgãos internos apuram responsabilidades, permanece a demanda por respostas claras e por um plano de reconstrução que restitua dignidade e futuro aos milhares de praticantes. Em um horizonte límpido, o movimento associativo reaprende a se autogerir com integridade — e a luz dessa renovação deve ser acesa com coragem institucional.