Investigação revela como a Fidesm manipulava torneios com o software TopTurnier e árbitros escolhidos por um clique

Investigação em Roma aponta manipulação na Fidesm com o software TopTurnier e escolha de árbitros para alterar resultados em Riccione.

Investigação revela como a Fidesm manipulava torneios com o software TopTurnier e árbitros escolhidos por um clique

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Investigação revela como a Fidesm manipulava torneios com o software TopTurnier e árbitros escolhidos por um clique

Por Aurora Bellini — Um conjunto de investigações em Roma lançou luz sobre práticas que, segundo os promotores, teriam corroído a integridade de competições amadas por um milhão de praticantes na Itália. A Fidesm (Federação Italiana Danza Sportiva e Sport Musicali), fundada em 1996, está no centro de um inquérito conduzido pela Procuradoria de Roma que investiga supostos atos de fraude esportiva destinados a alterar resultados de provas nacionais.

O procurador responsável, Stefano Opilio, indicou que estão sob suspeita a presidente Laura Lunetta e o dirigente apontado como “presidente sombra”, Ferruccio Galvagno, além de colaboradores próximos. Entre os episódios apurados estão as competições dos campeonatos absolutos realizadas em Riccione entre 19 e 22 de fevereiro de 2026, onde, segundo as acusações, houve intervenções na designação de árbitros e manipulação do software de votação.

Investigadores da polícia judiciária efetuaram buscas e apreensões em residências e escritórios dos indiciados, confiscaram documentos, computadores e telefones celulares, realizaram interceptações e também vasculharam sedes institucionais, incluindo instalações do CONI, de Sport e Salute e o arquivo do Cids (Coordenamento Italiano Danza Sportiva). A ação, conforme apurou a Espresso Italia, nasceu após dezenas de denúncias que apontavam para competições suspeitas e resultados contestáveis.

O epicentro técnico do esquema seria o software TopTurnier, uma plataforma moderna usada para gerir inscrições, escalas e votações. Segundo os investigadores, o sistema permitiria a quem controlava a gestão modificar, em tempo real, as pontuações atribuídas pelos juízes às duplas em competição, alterando médias finais. Ainda mais grave: seria possível, com um clique, substituir os árbitros designados por outros — normalmente professores de dança — dispostos a favorecer determinadas duplas.

O objetivo, delineiam as investigações, não teria sido apenas alcançar títulos, mas atrair clientes para escolas “amigas”: fazê-los vencer nas pistas aumenta a visibilidade e a procura por aulas, estágios e serviços de preparação, gerando um circuito econômico que prejudicava técnicos competentes e atletas não alinhados ao sistema. A grande quantidade de duplas em disputa e o rápido rodízio nas pistas teriam facilitado que as alterações passassem despercebidas.

Figura central no enquadramento, Ferruccio Galvagno é fundador da Fidesm e a presidiu entre 2001 e 2011. Já radiado pelo CONI por condutas que, segundo as anotações daquele processo, se assemelhavam às hoje alegadas — como «alteração de resultados de competições nacionais» e pressões indevidas sobre juízes, atletas e familiares —, Galvagno foi posteriormente reintegrado pela própria federação em 2018. Desde então, seu nome voltou a emergir em investigações e denúncias no universo da dança desportiva.

Para além dos nomes, o caso expõe uma tensão maior: a coexistência entre avanços tecnológicos que iluminam processos e a tentação de manipular essas mesmas ferramentas para fins privados. É um lembrete de que a inovação exige guardiões éticos tão competentes quanto os desenvolvedores dos sistemas.

A investigação ainda está em curso. A Espresso Italia continuará a acompanhar o desenrolar dos fatos, trazendo atualizações e analyses que ajudem a compreender não apenas o mapa das responsabilidades, mas também as reformas necessárias para cultivar um futuro onde competição e mérito voltem a florescer em solos limpos.