Hino russo volta a soar em pódio mundial no nado artístico; Itália brilha nas águas abertas

Após mais de quatro anos, o hino russo volta a ecoar no pódio do nado artístico em Xi'an; Itália brilha com vitória no revezamento de águas abertas.

Hino russo volta a soar em pódio mundial no nado artístico; Itália brilha nas águas abertas

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Hino russo volta a soar em pódio mundial no nado artístico; Itália brilha nas águas abertas

Por Aurora Bellini, Espresso Italia — Depois de mais de quatro anos, o hino russo voltou a ecoar em celebração a uma vitória de nível mundial. Foi em Xi'an, na China, onde as duetistas russas Kira Cherezova e Valentina Gerasimova conquistaram o ouro no duo livre da terceira etapa da Copa do Mundo de nado artístico.

Segundo apuração da Espresso Italia, a decisão da World Aquatics do último 13 de abril, que readmitiu Rússia e Bielorrússia às competições internacionais com hino, bandeira e cores nacionais — e não apenas em categorias juvenis — abriu caminho para esse momento simbólico. Cherezova e Gerasimova, que haviam competido no início de março em Paris como atletas individuais neutras (Ain), subiram ao lugar mais alto do pódio em Xi'an com quase vinte pontos de vantagem sobre as compatriotas Kristina Chekhanova e Anastasia Sidorina.

O retorno do hino russo a um pódio mundial em um esporte olímpico remete a 30 de janeiro de 2022, quando, em Innsbruck, a equipe masculina de team sprint do patinagem de velocidade júnior celebrou o título. Nos dias seguintes à invasão da Ucrânia por tropas russas, em 24 de fevereiro de 2022, o Comitê Olímpico Internacional recomendou que federações internacionais não convidassem delegações da Rússia e da Bielorrússia, alterando profundamente o mapa das competições.

Em 2023 houve as primeiras aberturas parciais, com a criação da categoria de atletas individuais neutros (Ain) para aqueles que não tivessem vínculos militares, policiais ou posições públicas favoráveis à operação militar. Decisões distintas seguiram nos âmbitos olímpico e paralímpico. No caso paralímpico, a reabilitação levou ao retorno do hino russo em 9 de março de 2026, em Cortina d'Ampezzo, quando a esquiadora Varvara Voronchikhina venceu o super-G na categoria standing feminina — um momento descrito pela imprensa como um pequeno renascimento simbólico.

No campo olímpico, contudo, a restrição a hino e bandeira segue em vigor: o último hino russo tocado em Jogos Olímpicos continua sendo o de 21 de agosto de 2016, em Rio de Janeiro, na vitória de Soslan Ramonov na luta livre. O Comitê Olímpico Internacional mantém, por ora, a suspensão e tem agendada uma reunião do seu Executivo na próxima semana, que poderá debater o tema.

Enquanto Xi'an foi palco de marcos diplomáticos e esportivos, a Itália celebrou um triunfo iluminado nas águas abertas do Golfo Aranci, na Sardenha. A equipe formada por Giulia Berton, Ginevra Taddeucci, Andrea Filadelli e Gregorio Paltrinieri venceu a revezamento 4x1500 m livre da Copa do Mundo de especialidade em 1h05'04". A França ficou a um segundo, em 1h05'05", depois de liderar com onze segundos de vantagem na última volta, quando o francês Marc-Antoine Olivier foi ultrapassado pelo extraordinário sprint final de Paltrinieri, que manteve a cadência mesmo nas frequências altas. A Austrália fechou o pódio em terceiro, cinco segundos atrás.

São cenas que revelam novos caminhos — tanto na política esportiva internacional quanto na escrita de pequenas histórias de superação atlética. Na confluência entre decisão institucional e o brilho humano dos atletas, o esporte volta a iluminar horizontes e a semear debates sobre ética, representatividade e ambiente competitivo. Em tempos complexos, cada hino, cada braçada e cada coreografia têm o poder de lembrar que o legado do esporte está em cultivar valores, construir pontes e celebrar o talento em sua expressão mais pura.