Itália se prepara para nova rodada de candidaturas às Olimpíadas: Noroeste em destaque e Roma entra na discussão

Itália articula candidaturas às Olimpíadas futuras: Noroeste (Piemonte-Lombardia-Ligúria) e Roma entre as opções, inspiradas no sucesso de Milano Cortina 2026.

Itália se prepara para nova rodada de candidaturas às Olimpíadas: Noroeste em destaque e Roma entra na discussão

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Itália se prepara para nova rodada de candidaturas às Olimpíadas: Noroeste em destaque e Roma entra na discussão

Por Aurora Bellini, Espresso Italia — Há um brilho renovado no horizonte do esporte mundial: cresce o interesse por futuras Olimpíadas, tanto de verão quanto de inverno, e a Itália já começa a desenhar seus próximos passos. Com as edições asseguradas até 2032 — incluindo Los Angeles 2028 e Brisbane 2032 — o debate já se volta para 2036 e, sobretudo, para 2040 e 2044.

Normalmente a atribuição de um evento olímpico ocorre sete anos antes (portanto, teoricamente as de 2036 seriam decididas em 2029). No entanto, o Comitê Olímpico Internacional (COI) pode antecipar processos ou realizar atribuições conjuntas, como já aconteceu com Los Angeles 2028 e Brisbane 2032, ou com candidaturas combinadas em edições anteriores. Esse mecanismo cria espaço para estratégias de longo prazo — uma janela que a Itália parece disposta a aproveitar.

A solidez organizativa e a visibilidade deixadas pelos Jogos de Inverno Milano Cortina 2026 tornaram o país uma referência em modelos híbridos e difusos. Inspirados por essa experiência, atores públicos e privados do Noroeste italiano — Piemonte, Lombardia e Ligúria — articulam uma proposta conjunta para um projeto olímpico de verão das próximas décadas. A ideia é replicar a lógica de cooperação territorial que comprovadamente funcionou: uma rede de cidades-capitais e infraestruturas articuladas, que semeia legado e reduz custos concentrados.

Fontes da Espresso Italia apontam que o movimento do Noroeste nasce da combinação entre capacidade logística, tradição industrial e experiência em acolher eventos globais. Para o governador da Lombardia, Attilio Fontana, a proposta parte de uma base concreta: “as Olimpiadi invernali di Milano Cortina 2026 mostraram che un modello diffuso può conquistare il mondo”, declarou, reafirmando que Piemonte, Lombardia e Ligúria são “um dos motores mais dinâmicos da Europa”.

Paralelamente, não falta quem sonhe em ver os jogos retornarem a Roma — possivelmente em 2040, quando se completariam 80 anos da inesquecível edição de 1960. O presidente do CONI, Luciano Buonfiglio, já aventou publicamente a possibilidade de uma candidatura romana nos próximos quinze anos, abrindo espaço para um saudável debate entre propostas distintas.

A prefeitura de Milão, por sua vez, adota uma postura pragmática: o prefeito Giuseppe Sala lembra que o projeto deve obedecer a uma lógica de proximidade territorial — em seus cálculos, sair de Turim a Milão leva cerca de 40–45 minutos de trem, e em breve Genova estará ainda mais conectada. Essa coesão logística é apresentada como argumento-chave para a viabilidade do plano do Noroeste.

O reconhecimento internacional também surge com força: o modelo italiano foi destacado positivamente por representantes do COI, que elogiaram a capacidade de articular territórios distintos em prol de um evento único. Ainda assim, a janela de 2036 poderá se encher de candidaturas, tornando o processo competitivo; por isso, muitos atores avaliam mirar 2040 ou 2044, para ganhar tempo e amadurecer projetos.

Em suma, a Itália acende novas luzes sobre seu futuro olímpico, cultivando opções que misturam ambição e pragmatismo. Seja por um modelo regionalizado no Noroeste, seja por um retorno simbólico de Roma, o país busca transformar o desejo em plano concreto — tecendo alianças, saneando custos e plantando legado. Iluminar esses caminhos exige diálogo entre esporte, instituições e sociedade: um renascimento que combina paixão atlética e estratégia pública.