Juventus perde fôlego: falta de personalidade a deixa fora do trilho da Champions

Juventus perde posição e vê a Champions escapar após derrota para Fiorentina; falta de personalidade e erros pontuais marcam a rodada final.

Juventus perde fôlego: falta de personalidade a deixa fora do trilho da Champions

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Juventus perde fôlego: falta de personalidade a deixa fora do trilho da Champions

Por Aurora Bellini — Em uma noite em que os rivais acenderam suas luzes, quem se apagou foi a Juventus. A derrota contra a Fiorentina e os resultados paralelos empurraram o clube para fora da zona de classificação à Champions, deixando a equipe de Spalletti numa posição incerta a apenas uma rodada do fim.

Enquanto outros jogos entregavam reações e histórias de caráter — como o gol decisivo de Scott McTominay em Pisa que aliviou o nervosismo do Napoli, as duas conclusões implacáveis de Gianluca Mancini no derby, a transformação do pênalti por Christopher Nkunku que devolveu fôlego ao Milan, e o lance de Alberto Moreno que manteve o Como na disputa — o som mais alto na noite foi o silêncio da Juventus.

O time entrou em campo ocupando a terceira colocação, mas problemas pontuais — como a falha de marcação de Koopmeiners sobre Ndour e o lance em que Di Gregorio deixou a bola escapar junto ao gol — minaram qualquer chance de reação. Ninguém encontrou personalidade suficiente para se rebelar diante das evidências que chegavam minuto a minuto: a vaga na Champions estava se esvaindo.

Ao fim da rodada, a Velha Senhora não só caiu posições como agora depende de pelo menos dois desfechos improváveis para recuperar seu lugar. O fato de o Como ter vencido a Juventus duas vezes nesta temporada complica ainda mais a equação: o primeiro dos não classificados passou a ser justamente quem antes sorria confiante.

Não se trata apenas de futebol bonito. Se a discussão fosse só sobre estilo de jogo, talvez Spalletti ainda tivesse argumentos a oferecer. O problema foi outro: faltou a tal arte de se virar com o pouco à mão — a capacidade de pressionar quando necessário, de aproveitar oportunidades como o Milan (apesar do cansaço), de reagir com calor emocional como a Roma fez ao responder a um bom início da Lazio, ou de segurar o resultado com tenacidade como o Como fez diante do Parma. A Juventus pareceu incapaz desse improviso, alternando entre bombardear de forma desesperada e sucumbir em jogos de espaços reduzidos, exceto por lampejos como o tiro de Mandragora.

Entramos na última página desta temporada com uma imagem: a Fiorentina como autora do golpe mais violento — o assassino simbólico da festa juventina. Domingo nos dirá se essa acusação se confirma ou se foi um engano extremo, com outro suspeito ainda afiado para dar o golpe final a quem hoje ostenta um sorriso forçado.

Há, porém, um convite para olhar adiante: cada revés revela caminhos a iluminar. A Juventus terá que semear inovação no vestiário e cultivar nervos de aço se quiser recuperar o horizonte límpido da Champions. É hora de reconstruir caráter, não apenas esquema tático — e onde há caráter, há sempre um ponto de luz por reacender.

18 de maio de 2026