Perícia indica que Maradona poderia ter melhorado com um diurético, diz especialista em San Isidro
Especialista afirma que Maradona poderia ter melhorado com diurético; depoimento eleva tensão no julgamento em San Isidro.
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Perícia indica que Maradona poderia ter melhorado com um diurético, diz especialista em San Isidro
Por Aurora Bellini – Em novo capítulo do julgamento em San Isidro pela morte de Diego Armando Maradona, o intensivista Mario Schiter afirmou, durante a décima audiência, que o craque argentino poderia ter apresentado melhora clínica em questão de dias com a administração de um diurético comum. A testemunha, que acompanhou o ídolo nos primeiros anos dos anos 2000 e participou como observador da autópsia, descreveu um quadro corporal com evidência de edema difuso, incluindo acúmulo de líquido no pericárdio, na pleura e na cavidade abdominal.
Schiter salientou que, na prática da terapia intensiva, casos de insuficiência cardíaca congestiva são rotineiros: "Vemos pacientes com insuficiência cardíaca congestícia diariamente; reduzindo os líquidos com os diuréticos, em 12 horas muitos já retomam suas atividades ou voltam para casa". Ao trazer essa perspectiva clínica, o especialista sugeriu que um manejo mais agressivo do balanço hídrico poderia ter alterado a evolução do quadro de Maradona entre a internação domiciliar e o desfecho trágico de 25 de novembro de 2020.
A audiência atravessou momentos de grande tensão emocional quando o principal réu, o neurocirurgião Leopoldo Luque, projetou sem aviso prévio um vídeo da autópsia dentro da sala do tribunal. A materialização das imagens provocou a reação veemente de Gianinna Maradona, filha do atleta, que acompanhava a sessão. Em nota adaptada para a redação da Espresso Italia, a proibição de exposições gráficas sem consentimento foi novamente questionada pelos advogados de defesa e pelas partes civis.
Luque e outros seis profissionais de saúde respondem à acusação de homicídio culposo com dolo eventual, tipificação que, conforme os autos, pode resultar em penas de até 25 anos de prisão. O processo busca apurar se houve negligência, imperícia ou omissão no monitoramento e no tratamento recebido por Maradona durante a fase de hospitalização domiciliar que precedeu sua morte por edema pulmonar e parada cardiorrespiratória.
Além do depoimento do intensivista, o julgamento tem reunido laudos, testemunhos e imagens que pintam um retrato complexo: um corpo com sinais de sobrecarga hídrica e uma cadeia de decisões clínicas questionáveis. Na visão de quem acompanha o caso, revelar essas camadas é iluminar caminhos para entender onde falhou o sistema de cuidado — e como, ao semear protocolos mais sólidos, é possível evitar tragédias semelhantes.
Enquanto as investigações e audiências seguem em San Isidro, a sociedade observa com atenção. A história de Maradona permanece como um farol ambíguo: fonte de admiração e, agora, também de lições duras sobre responsabilidade médica, ética e o valor da vigilância clínica. Que este processo inspire renovação nas práticas e um horizonte límpido para familiares e pacientes.