Samardo Samuels: o renascimento de uma estrela que reaprendeu a viver pelo basket
Samardo Samuels recomeça na Itália aos 37 anos: do alto nível à DR2, busca por redenção, recuperação e a meta de ser coach.
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Samardo Samuels: o renascimento de uma estrela que reaprendeu a viver pelo basket
Por Aurora Bellini — Em um gesto que ilumina novos caminhos, Samardo Samuels, ex-jogador da NBA e da Olimpia Milano, reescreve sua história aos 37 anos. Depois de uma vida sob os holofotes, escolhas difíceis e um período de afastamento, ele voltou à quadra — não nas arenas da Europa, mas entre jovens que ainda sonham. A sua medicina foi o basket: um remédio que cura a solidão e faz sentir a vida pulsar novamente.
Encontro marcado em uma pequena academia de treino, onde, acostumado a entrar nas mais imponentes arenas, causa uma sensação inesperada vê‑lo à beira da quadra orientando garotos de 16 anos. Samuels nos recebe com um sorriso largo e um italiano improvisado: “Ciao, come stai?”. Hoje ele não é mais um profissional do circuito de elite — está de volta à Itália, onde vive com a esposa em Lazzate, e treina com o Basket Groane de Lentate sul Seveso, time da DR2 lombarda.
“Minha vida está mudando dia após dia. Estou fazendo tudo para ser um homem diferente. O melhor ainda está por vir”, diz ele, com tranquilidade que parece fruto de uma busca por paz interior. É uma história de redenção e renascimento, que prova que, mesmo após tempestades, há sempre um horizonte límpido a ser cultivado.
Samuels conta que seu último ano como jogador de alto nível foi no Oriente Médio, mas a guerra em curso na região o fez optar por uma pausa e o retorno à Itália para cuidar da recuperação após uma intervenção cirúrgica. O processo de reabilitação motivou sua escolha por Lentate sul Seveso: um ambiente sereno para retomar a forma física e reencontrar a essência do esporte.
Sobre o futuro, ele não esconde ambição e propósito. Ainda acredita ter combustível para alguns anos em quadra, caso o corpo permita: “A pandemia de 2020 interrompeu minha trajetória. Gostaria de tentar mais alguns anos se for possível”. E quando a carreira de atleta enfim se encerrar, a intenção é semear novos caminhos como treinador. “Quero muito me tornar um coach — é algo natural para mim”, revela.
O percurso de Samuels começou longe dos refletores. Nascido em 9 de janeiro de 1989 em Trelawny, na Jamaica, cresceu em condições modestas e, aos 14 anos, deixou a família rumo aos Estados Unidos com uma bolsa de estudos dedicada ao basquete. Para ele, a bola foi a ponte que salvou a vida e abriu perspectivas de transformação.
Houve um período em que, após brilhar por clubes como a Olimpia Milano e na NBA, Samuels tocou o fundo do poço — perdido em hábitos ruins e decisões equivocadas. Mas a escolha de pausar, refletir e apertar o botão do reset deu início a uma jornada de reconstrução. Hoje, entre treinos, conselhos aos jovens e a vida tranquila na Itália, ele cultiva valores e inspira quem está ao redor.
Ao acompanhar Samuels de perto, percebe‑se algo além do atleta: um homem que aprendeu a transformar a solidão em força e a converter a experiência em legado. Ele não vende utopias; oferece um relato honesto de superação e o convite luminoso de que a reinvenção é possível. Como uma luz que volta a clarear um caminho antes escuro, sua trajetória revela que o esporte pode ser tanto remédio quanto semente para um futuro significativo.