Sampdoria: 35 anos do scudetto — Pagliuca relembra aquele sonho de 1991
Pagliuca relembra o scudetto da Sampdoria em 1991: emoção, vitórias decisivas e o legado de um título que iluminou Gênova.
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Sampdoria: 35 anos do scudetto — Pagliuca relembra aquele sonho de 1991
19 de maio de 1991 é uma data que ainda brilha na memória dos torcedores da Sampdoria. Em uma conversa com a Espresso Italia, o goleiro titular daquela campanha histórica, Gianluca Pagliuca, revisitou a epopeia que levou o clube genovês ao seu único scudetto.
"Aquele scudetto foi um sonho. Havia um entusiasmo incrível, e até a torcida acreditava que poderíamos fazer a grande façanha. É uma lembrança indelevel", disse Pagliuca, com a lucidez de quem guarda preciosos lampejos de um passado iluminado.
Ao recordar a equipe, Pagliuca destacou a solidez defensiva e a força coletiva: "Tínhamos uma defesa de ferro, uma equipe muito forte e depois aqueles dois lá na frente, Roberto Mancini e Gianluca Vialli...". O goleiro não hesita em lembrar do papel central desses atacantes: "O Vialli está sempre conosco, não o esquecerei jamais".
O treinador Vujadin Boskov também ganha menção especial: "Ele foi fundamental, um treinador extraordinário — esperto, honesto. Ninguém sabia conduzir o vestiário como ele". Essas palavras revelam não apenas técnica, mas o cuidado humano que semeou coesão e confiança, luz que guiou o grupo nos momentos decisivos.
Pagliuca fala do coletivo com ternura: "Éramos todos amigos. Ir para o campo era um prazer, até os treinos. Mal podíamos esperar para enfrentar cada batalha. Preparávamos as partidas com alegria". E a vida além do gramado: "Aos domingos à noite, todos a dançar. Queríamos estar juntos" — um retrato caloroso de uma fraternidade que transcendeu a competição.
Entre as partidas que marcaram a caminhada, Pagliuca aponta alguns jogos como cruciais. A vitória sobre o Inter por 2 a 0, com gols de Dossena e Vialli, foi "a deixa" para o título — a virada de chave. O triunfo em San Siro contra o Milan, com gol de Cerezo, trouxe a certeza da capacidade do time. Houve também vitórias memoráveis em casa contra a Juventus, a viagem vitoriosa a Napoli com a dupla Vialli–Mancini fazendo a diferença, e o êxito sobre a Roma. "Foi uma temporada estrepitosa", resume o ex-goleiro.
Sobre a comemoração dos 35 anos, Pagliuca contou que pretende escrever uma mensagem no grupo do time: "A gente se fala com frequência, embora nos vejamos menos do que antes... 19 de maio de 1991 foi um grande dia. Meu primeiro e único scudetto, uma alegria esportiva que não vou sentir novamente". Ele reconhece também as dificuldades atuais: "Hoje, para uma equipe de província, é certamente mais difícil emergir... Desejo que a Sampdoria retorne à categoria que lhe compete e que faça um campeonato de ponta no próximo ano".
Ao revisitar essa estação da história, percebemos como memórias coletivas podem iluminar novos caminhos. A narrativa de Pagliuca é um convite a cultivar valores — amizade, disciplina e coragem — que continuam a inspirar gerações. Celebrar o legado da Sampdoria é também semear esperança para o futuro, mantendo acesa a chama de um dia que transformou a cidade de Gênova e deixou um horizonte límpido para os apaixonados pelo clube.
Reportagem por Aurora Bellini — Espresso Italia