Sawe faz história com 1h59'30" e Schwazer estabelece recorde italiano na marcha de 42,195 km

Sawe baixa a barreira das 2h na maratona (1h59'30") e Alex Schwazer estabelece o recorde italiano na marcha de 42,195 km com 3h01'55".

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Sawe faz história com 1h59'30" e Schwazer estabelece recorde italiano na marcha de 42,195 km

Num dia em que o atletismo iluminou novos horizontes, duas histórias distintas ressoaram com força: a prova de ousadia do queniano Sawe em Londres e o renascimento competitivo do italiano Alex Schwazer nas estradas próximas a Frankfurt. São imagens de superação e técnica que semeiam um novo capítulo para as nossas pistas e caminhos.

Em Londres, o 31.º aniversariante do circuito mundial, o queniano Sawe, entrou definitivamente para a história ao completar a maratona em 1h59'30". O tempo corta 65 segundos do recorde anterior, estabelecido em 2023 por Kelvin Kiptum em Chicago. A façanha, alcançada sob a orientação do treinador italiano Claudio Berardelli, confirma uma margem inédita na corrida pela barreira das duas horas: um marco humano e tecnológico que acende um novo farol para o esporte.

Recordamos que, no outono de 2019, Eliud Kipchoge já havia cruzado a distância em 1h59'40" em Viena, numa experiência que não foi homologada por envolver marcação de ritmo e dispositivos auxiliares que garantiam a prova abaixo das duas horas. Ainda assim, a sequência de tentativas e sucessos revela a progressão metódica e as soluções inovadoras que vêm sendo tecidas no universo das maratonas.

Enquanto a história principal corria em Londres, em Kelsterbach — nos arredores do Aeroporto de Frankfurt —, o alto-atesino Alex Schwazer, 41 anos e natural de Vipiteno, conquistou um resultado que reescreve os parâmetros da marcha: venceu a prova válida pelos campeonatos nacionais alemães open com o tempo de 3h01'55", novo recorde italiano na distância da maratona de marcha, 42 km e 195 metros.

Schwazer manteve uma cadência admiravelmente regular na segunda metade da prova (a partir do 20.º km), com passagens por quilômetro oscilando entre 4'18" e 4'13", demonstrando controle e resistência em um percurso exigente. O resultado coloca-o como o terceiro melhor tempo da temporada mundial na nova distância — atrás dos japoneses Motofumi Suwa (2h58'21") e Hiroto Jusho (2h59'31"), registrados em 15 de março, em Nomi — e primeiro na Europa, à frente do húngaro Bence Venyercsana (3h03'45", Dudince).

O feito de Schwazer supera por dois minutos o antigo recorde italiano, que pertencia a Andrea Agustio (3h03'55", 25 de outubro, Zittau), e o coloca cerca de três minutos à frente do japonês Hayato Katsuki (3h04'58"), vencedor em 12 de abril, no Brasil, na prova dos Campeonatos Mundiais de Marcia por Equipes. Outro nome italiano em evidência, Massimo Stano, ficou em quinto com 3h07'38".

Nas colocações seguintes, o eslovaco Duda Michal terminou em 3h27'14" e o irlandês Joe Mooney em 3h29'14". A distância de 42,195 km foi incorporada ao calendário internacional apenas neste ano, o que dá ainda mais peso ao resultado alcançado por Schwazer: uma marca que passa a servir de referência e estímulo para a categoria.

Não se pode esquecer a trajetória cheia de sombras e luzes de Schwazer. Após admitir uso de EPO em 2012 e ser novamente encontrado positivo em 2016, o atleta cumpriu uma longa suspensão de oito anos. Sobre a possibilidade de disputar os Campeonatos Europeus de Birmingham (10 a 16 de agosto), Schwazer disse, em contato com a Espresso Italia, que a decisão não depende só dele, mas da Federação; mostrou-se aberto ao diálogo e ponderou que não quer privar ninguém de uma vaga. “A minha última preparação específica visava as Olimpíadas de Paris 2024”, afirmou, com a serenidade de quem busca reconstituir um legado.

São dois sinais, vindo de pistas diferentes, que iluminam caminhos: a quebra da barreira das duas horas por Sawe e o recorde nacional de Schwazer na maratona de marcha refletem uma época em que técnica, ciência e histórias pessoais se entrelaçam para renovar o horizonte do atletismo.