Com 98 anos, paciente volta a ficar em pé horas após dupla prótese de quadril em Catania

Com 98 anos, paciente recupera mobilidade horas após dupla prótese de quadril em Humanitas Catania; cirurgia mini-invasiva e reabilitação foram decisivas.

Com 98 anos, paciente volta a ficar em pé horas após dupla prótese de quadril em Catania

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Com 98 anos, paciente volta a ficar em pé horas após dupla prótese de quadril em Catania

Por Riccardo Neri — Em um procedimento raro por envolver um paciente de 98 anos, a equipe de Ortopedia do Humanitas Istituto Clinico Catanese implantou duas próteses de quadril na mesma sessão cirúrgica, permitindo que o paciente retornasse à posição em pé poucas horas após a operação. O caso, executado pelo responsável pelo serviço, Dr. Giuseppe Mazziotta, com apoio de uma equipe multidisciplinar, figura entre os poucos relatos internacionais em idades tão avançadas.

O paciente, identificado apenas como Giuseppe, natural de Randazzo, sofria de artrose bilateral de quadril com dor intensa e perda progressiva da mobilidade. Foi o próprio paciente quem solicitou a correção das duas articulações. Após avaliações clínicas e anestesiológicas detalhadas, e considerando as boas condições gerais apesar da idade, a equipe optou pela prótese bilateral realizada no mesmo ato operatório.

O procedimento durou menos de duas horas e foi realizado sob anestesia espinhal combinada com sedação, mantendo o paciente em vigilância durante todo o tempo. Após a prótese na primeira anca, os parâmetros vitais e laboratoriais foram reavaliados; constatada a estabilidade, a equipe, em diálogo com o paciente, prosseguiu com a segunda intervenção.

Técnica e decisões técnicas também foram adaptadas à realidade geriátrica: o acesso foi póstero-lateral mini-invasivo e os componentes femorais usados foram cementados, escolha pensada para reduzir as perdas sanguíneas e aumentar a estabilidade imediata. A combinação de técnica menos traumática e implantes cementados favoreceu a mobilização precoce.

Já no dia da cirurgia, o paciente iniciou o protocolo de mobilização e, após algumas semanas de reabilitação, teve alta caminhando com autonomia. "A evolução das técnicas ortopédicas vem ao encontro das necessidades dos pacientes e do desejo de desfrutar uma vida longa e com saúde", afirma Mazziotta. "Restituir autonomia de movimento ao senhor Giuseppe é celebrar a vida em cada etapa", completa o especialista.

Do ponto de vista operacional, o episódio ilustra como a coordenação entre especialidades — anestesia, ortopedia, enfermagem e fisioterapia — funciona como um sistema integrado, semelhante ao sistema nervoso das cidades: sinais, controles e respostas sincronizados permitem operações seguras mesmo em condições adversas. O monitoramento perioperatório e a estratégia de minimizar perdas e trauma foram decisivos para o desfecho.

Além do aspecto humano, o caso tem relevância para as políticas de saúde na Itália e na Europa: com o envelhecimento populacional, a capacidade de realizar cirurgias seguras e de promover reabilitação eficiente é um componente essencial da infraestrutura de cuidados. Intervenções que possibilitem mobilidade em idades avançadas afetam diretamente qualidade de vida, independência e custo social a médio prazo.

Este relato reforça que, quando avaliadas individualmente e com aparelhos e protocolos adequados, opções cirúrgicas agressivas em termos de ambição — como a prótese bilateral em um paciente centenário próximo — podem ser realizadas com sucesso. A decisão, sempre centrada no paciente e na sua autonomia, é o alicerce ético e técnico deste tipo de intervenção.