Anthropic avaliada em US$ 965 bilhões, supera OpenAI e anuncia chegada em Milão

Anthropic capta US$65 bi, alcança avaliação de US$965 bi, supera OpenAI e anuncia escritório em Milão para desenvolvimento responsável do Claude.

Anthropic avaliada em US$ 965 bilhões, supera OpenAI e anuncia chegada em Milão

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Anthropic avaliada em US$ 965 bilhões, supera OpenAI e anuncia chegada em Milão

Em um movimento que redefine parte do mapa financeiro e infraestrutural da inteligência artificial, a americana Anthropic captou US$ 65 bilhões em um novo round de investimento, elevando sua avaliação para cerca de US$ 965 bilhões — um marco que a coloca à frente da rival OpenAI, avaliada em US$ 852 bilhões em março. A informação foi relatada pela agência Bloomberg e confirma a escala crescente do capital fluindo para modelos e plataformas de IA de ponta.

O financiamento foi liderado por fundos de peso do Vale do Silício — Altimeter Capital, Dragoneer, Greenoaks e Sequoia Capital — com participação adicional de D.E. Shaw & Co., Blackstone Inc. e DST Global. Ao montante recente somam-se US$ 15 bilhões em compromissos anteriores de provedores de nuvem, entre os quais US$ 5 bilhões vindos da Amazon. Em paralelo, fabricantes de semicondutores, como Micron, Samsung e SK Hynix, entraram como parceiros estratégicos para as camadas de infraestrutura necessárias ao treino e à operação dos modelos.

Do ponto de vista técnico e operacional, a Anthropic destaca que seu modelo Claude já está disponível nas três grandes plataformas de nuvem pública — Amazon Web Services, Google Cloud e Microsoft Azure — o que reduz atritos de implementação para clientes empresariais e facilita a integração com sistemas existentes. Essa presença multi-cloud funciona como um “alicerce digital” que amplia a resiliência e a escalabilidade do serviço.

O anúncio chega em meio a um episódio jurídico relevante: a startup processou o Departamento de Defesa dos EUA depois de ser rotulada como risco para a cadeia de suprimentos. A empresa afirma que a classificação seria uma retaliação inconstitucional por sua negativa em conceder acesso ilimitado de suas tecnologias ao setor militar, situação que coloca em evidência a tensão entre segurança nacional e governança do uso da IA.

No palco europeu, a companhia, fundada pelos irmãos de origem italiana Dario e Daniela Amodei, confirmou a abertura de um escritório em Milão, sua sexta base no continente, ao lado de Londres, Dublin, Paris, Zurique e Munique. Liderado por Thomas Remy para o sul da Europa, o time milanês trabalhará com empresas locais e com a comunidade de desenvolvedores para promover um desenvolvimento responsável do Claude, participando do debate público e setorial sobre ética, regulação e aplicações práticas da IA.

Clientes e parcerias já em curso incluem colaboração com Generali Group e Unipol Group no setor financeiro, além de iniciativas com Angelini Pharma e Bracco Group nas ciências da vida — sinais de que as implantações se concentram em domínios críticos da economia e da saúde.

No plano mais amplo do mercado, a notícia também enquadra movimentos correlatos: a SpaceX de Elon Musk, que incorporou a xAI em fevereiro, pode iniciar negociações de ações em 12 de junho com objetivo de avaliação em torno de US$ 1,75 trilhão, num processo que, se confirmado, seria a maior IPO da história.

Para observadores europeus, o caso Anthropic é ilustrativo de como o “sistema nervoso das cidades” — sensores, aplicações em nuvem e modelos de decisão automatizados — está sendo redesenhado por grandes blocos de capital e parcerias industriais. A chegada a Milão signfica que as camadas de inteligência e infraestrutura digital estarão mais próximas das cadeias produtivas e regulatórias italianas, forçando um ajuste entre inovação, soberania tecnológica e limites de uso.

Em tom institucional, a empresa afirma que as capacidades avançadas e o foco em segurança conquistaram a confiança de várias empresas italianas. O anúncio sucede a publicação da encíclica Magnifica Humanitas, primeiro documento papal dedicado à inteligência artificial, transformando o debate tecnológico também em tema de pautas públicas e éticas no país.