Meta abandona acesso VR do metaverso nos visores Quest e redireciona recursos para a inteligência artificial
Meta encerra acesso VR do Horizon Worlds nos visores Quest e redireciona investimentos massivos para inteligência artificial em 2026.
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Meta abandona acesso VR do metaverso nos visores Quest e redireciona recursos para a inteligência artificial
Em mais uma guinada estratégica que revela a reorganização dos alicerces digitais da empresa, a Meta anunciou que, a partir de 15 de junho, encerrará o acesso em realidade virtual à sua plataforma de metaverso nos visores Quest. A partir dessa data, o único caminho para entrar na experiência será pelo aplicativo móvel, disponível para iOS e Android, por meio da app Meta Horizon.
Segundo nota oficial, "depois de 15 de junho, o aplicativo Horizon Worlds será removido do Quest e os mundos não estarão mais disponíveis em realidade virtual. Você poderá acessar todos os seus mundos preferidos otimizados para dispositivos móveis através do aplicativo Meta Horizon". A medida já havia sido antecipada em fevereiro, quando a empresa sinalizou a intenção de transferir o foco do metaverso para uma experiência dedicada a smartphones e tablets.
Nos últimos dois anos, a companhia de Menlo Park direcionou cada vez mais recursos aos projetos de inteligência artificial, reduzindo investimentos ligados ao metaverso sob a divisão Reality Labs. Para 2026, a previsão é de um investimento entre 115 e 135 bilhões de dólares em IA — praticamente o dobro do ano anterior — depois de já ter desembolsado cerca de 140 bilhões de dólares entre 2022 e 2025.
O movimento é simbólico: quando a empresa mudou de nome para Meta, em 2021, havia um compromisso claro com a construção de um ambiente imersivo onde as interações seriam mais "reais" do que nas redes sociais tradicionais. Hoje, porém, a realidade operacional parece priorizar camadas de inteligência e infraestrutura de dados em detrimento da imersão em VR.
Relatos da imprensa, incluindo a Bloomberg, apontaram cortes de cerca de 1.000 funcionários na unidade ligada ao metaverso, com realocação de talento para o chamado Tbd Lab, que trabalha no desenvolvimento de uma superinteligência. Paradoxalmente, um dia após o anúncio do fim do suporte a VR em Quest, o CTO Andrew Bosworth afirmou, em sessão de perguntas no Instagram, que a empresa manterá o Horizon Worlds ativo em realidade virtual em forma de "manutenção ativa" — uma operação reduzida, mas existente.
Além da reorganização tecnológica, a Meta lançou o programa Creator Fast Track, uma iniciativa para atrair criadores já estabelecidos em outras plataformas. A oferta prevê pagamentos garantidos por três meses: US$ 1.000 por mês para criadores com pelo menos 100 mil seguidores (Instagram, TikTok ou YouTube) e US$ 3.000 por mês para os que ultrapassam 1 milhão de seguidores em alguma dessas plataformas. O movimento é percebido como uma tentativa direta de competir com a grande plataforma de vídeo atual, o YouTube, reforçando a estratégia da Meta de consolidar fluxos de conteúdo e dados nos seus serviços centrais.
Do ponto de vista de infraestrutura urbana e digital, essa sequência de decisões lembra a reconfiguração de uma cidade que desativa uma linha de metrô para reforçar a rede elétrica: serviços visuais e imersivos são reduzidos enquanto se aumenta a capacidade do "sistema nervoso" que alimenta algoritmos e plataformas. Para cidadãos, criadores e operadores de mercado na Europa e na Itália, a mudança indica que a prioridade agora é a escala e a eficiência dos modelos de inteligência artificial, mais do que a construção de espaços virtuais imersivos.


