UE aprova ajuda estatal de €211 mi para chips fotônicos em grafeno da CamGraPhIC

UE aprova €211 mi para CamGraPhIC desenvolver transceptores ópticos em grafeno; projeto em Pisa e Bergamo reforça chips para telecom, data centers e IA.

UE aprova ajuda estatal de €211 mi para chips fotônicos em grafeno da CamGraPhIC

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UE aprova ajuda estatal de €211 mi para chips fotônicos em grafeno da CamGraPhIC

Por Riccardo Neri — A Comissão Europeia concedeu luz verde a um apoio público italiano de 211 milhões de euro destinado ao desenvolvimento de transceptores ópticos fotônicos baseados em grafeno, liderado pela empresa italiana CamGraPhIC. O subsídio, aprovado segundo as regras da UE sobre auxílios de Estado, será concedido na forma de subvenção direta e visa consolidar um projeto industrial que se desenrolará entre Pisa (Toscana) e Bergamo (Lombardia), com participação de universidades e organizações de pesquisa e tecnologia.

Os transceptores ópticos são componentes que permitem transmitir e receber dados por meio da luz em vez de elétrons, integrados nos chips. A aposta no grafeno como substituto do silício tem implicações de infraestrutura digital: segundo Bruxelas, a camada de material promete ganhos significativos em desempenho e eficiência, com aplicações que vão do setor automotivo e das telecomunicações até o aeroespacial e a defesa.

Na avaliação da Comissão, o auxílio é necessário, adequado e proporcional, sem provocar efeitos negativos indevidos sobre a concorrência e o mercado interno. Bruxelas salientou também o chamado "efeito de incentivo": sem o apoio público, o beneficiário não concretizaria o investimento. Além disso, a medida se alinha com metas estratégicas da União para investigação e desenvolvimento no setor de chips, um domínio sensível para a competitividade industrial europeia.

A CamGraPhIC foi fundada em 2018 por Andrea Ferrari e Marco Romagnoli, com o suporte da Frontier IP. Em março de 2025 a empresa captou 25 milhões de euro em uma rodada liderada por CDP Venture Capital, Nato Innovation Fund, Sony Innovation Fund e Join Capital, com a participação de Bosch Ventures e Indaco Ventures. Esse aporte destinou-se a reforçar a capacidade de pesquisa e a iniciar uma linha piloto de produção escalável e compatível com fonderies comerciais de semicondutores.

A proposta industrial é clara: o grafeno como alternativa à fotônica integrada baseada em silício. Segundo a própria empresa, os dispositivos em desenvolvimento oferecem maior densidade de banda, latência melhorada e consumo energético até 80% inferior comparado aos transceptores tradicionais usados em data centers. Trata-se de uma resposta técnica ao crescimento exponencial do tráfego de dados e aos gargalos de hardware que limitam o avanço das aplicações de inteligência artificial.

"Este investimento permitirá criar uma facility de produção dos novos dispositivos de baixo consumo energético, que serão a base para aplicações em comunicações de alta banda, nos data centers e no hardware para IA", declarou Andrea Ferrari à imprensa. Do ponto de vista sistêmico, é uma evolução que liga pesquisa acadêmica à manufatura industrial, projetando o projeto como uma das apostas italianas e europeias na corrida por chips de próxima geração.

Como analista, vejo essa iniciativa como o reforço dos alicerces digitais: trata-se de construir uma camada material — o novo substrato tecnológico — que pode aliviar o sistema nervoso das cidades e das infraestruturas de dados. A transição para componentes fotônicos em grafeno é menos um espetáculo de vanguarda do que uma otimização de rede, com implicações concretas para eficiência energética, latência e densidade de tráfego em aplicações críticas na Europa.