50 anos do terremoto no Friuli: Mattarella e Meloni em Gemona celebram modelo de reconstrução

50 anos do terremoto no Friuli: Mattarella e Meloni em Gemona lembram vítimas e exaltam o modelo de reconstrução e prevenção.

50 anos do terremoto no Friuli: Mattarella e Meloni em Gemona celebram modelo de reconstrução

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50 anos do terremoto no Friuli: Mattarella e Meloni em Gemona celebram modelo de reconstrução

Há cinquenta anos a noite de 6 de maio de 1976 deixou uma cicatriz profunda na paisagem e na memória do Friuli. Às 20h59 a terra tremeu com epicentro em Majano: um sismo de magnitude 6.4 na escala Richter que alcançou o 10º grau na escala Mercalli, arrasando vilarejos, alterando a respiração da região e provocando quase mil mortes — cerca de 400 em Gemona — e aproximadamente 3 mil feridos. Foram perto de 100 os municípios devastados, uma colheita amarga que transformou costumes e prioridades.

Hoje, em Gemona del Friuli, as ruas trazem as bandeiras tricolores e também alguns estandartes do Friuli, lembrando que a reconstrução foi tanto um esforço nacional quanto um renascer local. Às 16h30 chegou o Presidente da República, Sergio Mattarella, para participar, ao lado da Presidente do Conselho, Giorgia Meloni, de uma sessão extraordinária do Conselho regional. Na fachada do Cinema Teatro Sociale, um grande faixa proclama: "Maggio 1976 - Maggio 2026. Gemona ed il Friuli ringraziano di cuore e non dimenticano. Benvenuto Presidente". Antes, Mattarella prestou homenagem às vítimas no cemitério local.

Na cerimônia, a primeira-ministra destacou que o chamado "modello Friuli" é até hoje o melhor exemplo de reconstrução pós-sísmica em Itália: uma combinação de soluções práticas, governança ágil e participação comunitária que floresceu das ruínas. Foi esse pacto entre Estado, sociedade civil e territórios que permitiu não só erguer de novo casas e igrejas, mas replantar o tecido social — um verdadeiro despertar da paisagem humana.

Um dos legados mais duradouros dessa história foi a valorização da prevenção e da redução do risco sísmico, lembrada também nas palavras do então commissário extraordinário, do trabalho da Protezione Civile e da figura de Zamberletti. Da ação imediata nas trevas da tragédia brotou a ideia de organizar nacionalmente a resposta a desastres: a Protezione Civile nasceu, em parte, desse terreno trazido à luz pelas equipes que chegaram primeiro.

Entre os primeiros a responder estiveram os alpini da Associazione Nazionale Alpini (ANA). Em poucos dias foram montados grupos e, no mês seguinte, cantieri de trabalho que tornaram operacionais milhares de voluntários — jovens e idosos, equipados e autosuficientes — que trabalharam com abnegação e ficaram na memória dos "fradis furlans", os irmãos friulanos. Foi dessa mobilização que se consolidou também a noção de defesa civil como tecido social.

Hoje Gemona vive um dia de silêncio e lembrança. A cidade, blindada por medidas de segurança, recebe autoridades e cidadãos que retornam com memória sensível: a lembrança das ruas que ruíram e do esforço coletivo que reergueu casas, praças e esperanças. O extraordinário daquela resposta, e a atenção atual à prevenção, falam de um país que aprendeu — entre perdas e sementes — a cuidar melhor do seu tempo interno.

O mito do "Orcolat", o monstro que a tradição local imagina nas entranhas da terra, ainda ecoa como metáfora. Hoje, em vez de temer a besta, a comunidade se dedica a fortalecê-la: construir com prudência, planejar com cuidado, e manter viva a memória para que o passado sirva de lição e não de repetição.