Antitrust da UE ordena que Meta reabra WhatsApp para chatbots de IA concorrentes sob risco de multa de 10%
Antitrust da UE obriga Meta a reabrir WhatsApp a chatbots de IA em 5 dias; risco de multa de até 10% do faturamento global.
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Antitrust da UE ordena que Meta reabra WhatsApp para chatbots de IA concorrentes sob risco de multa de 10%
Bruxelas ordenou que a Meta restaure, em prazo de cinco dias úteis, o acesso gratuito de assistentes de inteligência artificial de terceiros ao WhatsApp e mantenha esse acesso até a conclusão da investigação antitruste. A medida visa evitar danos «graves e irreparáveis» à concorrência num mercado em expansão e é acompanhada da ameaça de sanções que podem chegar a 10% do faturamento global anual em caso de descumprimento.
A decisão da Comissão Europeia segue as notificações de acusações encaminhadas a Meta em fevereiro e abril de 2026 e foi tomada como medida provisória, diante da avaliação preliminar de que a empresa aparenta violar as regras da concorrência da UE ao excluir concorrentes do ecossistema de assistentes de IA na plataforma de mensagens.
Segundo o relatório preliminar da investigação da Antitrust UE, a alteração unilateral dos termos do serviço WhatsApp Business implementada em outubro de 2025 teria efetivamente bloqueado o acesso e a interação de assistentes de IA de terceiros com utilizadores, deixando, desde 15 de janeiro de 2026, apenas o assistente proprietário — o Meta AI — disponível dentro do app.
Bruxelas considera que tal conduta pode impedir novos entrantes e dificultar a expansão de concorrentes no mercado de assistentes inteligentes, amplificando a posição dominante da Meta nas aplicações de comunicação. A Comissão observa, com base no cruzamento de dados e na apuração in loco das práticas, que há risco real de marginalização irreparável de competidores menores caso não sejam impostas medidas de salvaguarda.
Como resposta imediata, a Comissão solicitou à Meta que reabram-se as APIs e os pontos de integração necessários para que chatbots e assistentes de IA de empresas terceiras voltem a interagir gratuitamente com utilizadores do WhatsApp. A imposição é condicionada ao respeito pelas garantias de defesa da empresa, mas a urgência foi enfatizada: sem ação, Bruxelas fará valer penalidades administrativas significativas.
No âmbito nacional, a investigação da Itália já havia levado a Autorità Garante della Concorrenza e del Mercato (AGCM) a impor medidas provisórias contra a Meta em dezembro de 2025. A decisão comunitária hoje torna a questão paneuropeia, sinalizando que o bloqueio de interoperabilidade entre plataformas e assistentes de IA é uma prioridade regulatória para a UE.
A Meta reagiu às comunicações da Comissão afirmando que as medidas provisórias projetadas por Bruxelas são infundadas. Em nota, um porta-voz da empresa defendeu que não há razão para intervenção nas APIs do WhatsApp Business, argumentando que existem múltiplos canais e opções para acesso a soluções de IA — incluindo lojas de aplicativos, sistemas operacionais, dispositivos, websites e parcerias setoriais — e que as APIs não constituem, por si só, um canal de distribuição essencial para esses chatbots.
Bruxelas, no entanto, sustenta que a importância do WhatsApp como plataforma de comunicação torna críticas as garantias de acesso e concorrência. A Comissão seguirá com a investigação principal, mas impôs as medidas provisórias para prevenir danos de difícil reparação ao mercado enquanto avalia de forma exaustiva as provas e ouve as defesas técnicas e jurídicas da Meta.
O caso acompanha a tendência global de maior escrutínio regulatório sobre grandes plataformas tecnológicas e a interoperabilidade de serviços digitais, com potencial para redesenhar regras do mercado de assistentes de IA e das APIs de comunicação.