Ruotolo alerta: UE exige governo fora da governança da Rai; reforma de Meloni é ‘cosmética’ e ameaça imprensa
Ruotolo alerta que UE exige governo fora da governança da Rai; diz que reforma de Meloni é 'cosmética' e pode acarretar infração europeia.
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Ruotolo alerta: UE exige governo fora da governança da Rai; reforma de Meloni é ‘cosmética’ e ameaça imprensa
Sandro Ruotolo, eurodeputado e jornalista com longa trajetória na Rai, traça um diagnóstico contundente sobre a paralisia da proposta de reforma da emissora pública italiana e os riscos que o atraso impõe à liberdade de imprensa no país. Em entrevista, Ruotolo afirma que a maneira como o texto está sendo conduzido revela muito sobre a saúde da nossa democracia.
O ponto de partida é o European Media Freedom Act (EMFA), norma da União Europeia destinada a proteger a liberdade, o pluralismo e a independência dos meios de comunicação no mercado europeu, que entrou em vigor em 8 de agosto de 2025. Apesar disso, a Itália ainda não transpos a lei para o ordenamento nacional.
Segundo Ruotolo, a proposta de reforma da Rai permanece estagnada há meses na VIII comissão do Senado, com um texto-base da maioria pronto, mas a votação dos emendamentos adiada para setembro. 'O nosso País já recebeu uma carta de advertência de Bruxelas pelo atraso', declarou Ruotolo, e uma segunda notificação está a caminho, abrindo caminho para uma potencial infração europeia.
O eurodeputado é categórico: mesmo se a reforma for aprovada nos moldes atuais, dificilmente evitará a sanção comunitária. 'O texto, tal como está, acolhe muito pouco das diretivas europeias', observa. Entre os pontos de conflito, Ruotolo destaca a previsão de que o Conselho de Administração inclua dois membros indicados pelo Mef — solução que contraria a orientação expressa pela UE de que o governo deve permanecer fora da governança da emissora pública.
Ruotolo também questiona a conduta do ministro Giorgetti, que teria retardado o processo afirmando ter o aval de Bruxelas — aval que, segundo o europarlamentar, é improvável. A vice-presidente da Comissão, Henna Virkkunen, já disse publicamente que a versão italiana da reforma parece uma operação de fachada, uma 'cosmética' que não passará no crivo europeu.
O timing da discussão levanta suspeitas políticas. Há quem acredite que o centro-direita pretende acelerar a aprovação para em seguida nomear uma nova governança alinhada ao governo, com mandato de quatro anos, e assim entrar no período eleitoral com um serviço público midiático favorável. Ruotolo resume: 'Em vista das eleições, o centro-direita quer tomar tudo antes do voto'.
Sobre a proteção do jornalismo de investigação, o deputado expressou preocupação com a sorte de programas como Report. Referindo-se ao recente atentado sofrido por Sigfrido Ranucci, Ruotolo defende a atuação da magistratura e sustenta que Ranucci é parte lesada. 'Report é um patrimônio da Rai que precisa ser defendido', disse, reafirmando apoio ao grupo de trabalho responsável pelo programa.
Na avaliação do eurodeputado, a disputa é dupla: envolve tanto o respeito às obrigações comunitárias decorrentes do EMFA quanto o risco de politização direta da empresa pública. A perspectiva, resumida por Ruotolo, é que a União Europeia seguirá pressionando com notificações formais e que, se a Itália insistir em uma reforma incompatível com as diretrizes, a probabilidade de procedimento de infração é elevada.
O caso seguirá em destaque quando o Parlamento retomar os trabalhos em setembro. Até lá, o cruzamento de fontes européias e italianas continuará a ser essencial para avaliar se a proposta sofrerá alterações que a alinhem ao padrão exigido por Bruxelas ou se confirmará o temor de uma mudança de governança construída para acomodar interesses partidários.