Sem plano concreto contra a máfia da Puglia: magistrados e policiais atuam isolados

Investigações apontam ausência de estratégia estatal permanente contra a máfia pugliese; magistrados e policiais atuam isolados diante da infiltração econômica.

Sem plano concreto contra a máfia da Puglia: magistrados e policiais atuam isolados

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Sem plano concreto contra a máfia da Puglia: magistrados e policiais atuam isolados

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes mostram um quadro preocupante na Puglia: a capacidade de organização e infiltração da máfia pugliese evoluiu, mas a resposta do Estado voltou a se pautar por gestos simbólicos em vez de ações estruturadas.

O salto de qualidade dessa criminalidade foi percebido de forma nítida após a strage de San Marco in Lamis. Naquela ocasião, a resposta do governo fugiu das retóricas: reunimos no Comitato nazionale per l’ordine e la sicurezza pubblica, em 10 de agosto de 2017, a necessidade de reforços reais para magistratura e polícia. Naquele momento, com o suporte decisivo do então ministro do Interior e do chefe da Polícia, Franco Gabrielli, chegaram reforços investigativos e logísticos que alteraram rapidamente a relação de forças no terreno. Os resultados foram mensuráveis.

Hoje, segundo relatos verificados com procuradores e agentes que atuam na região, não há um plano estratégico equivalente. Nos últimos três anos, ocorreram diversas visitas ministeriais a municípios da Capitanata: reuniões com prefeitos, comunicados e promessas. Mas, conforme ouvimos em cruzamento de depoimentos oficiais e não oficiais, a sequência tem sido sempre a mesma — forte componente simbólico, fraca tradução em medidas permanentes e específicas.

O problema não está nos comitês lotados ou no fato de autoridades locais serem ouvidas; está em a ação se esgotar em enunciados genéricos. Freqüentemente, o discurso público limita-se a citar medidas padrões — mais câmeras de vigilância, evocação de "modelos Caivano" ou zonas de contenção — sem indicar quais territórios serão fortalecidos de forma permanente, que unidades especializadas serão instituídas ou ampliadas, quais procuradorias receberão reforços estruturais e como se pretende bloquear, de maneira sustentável, a infiltração econômica das organizações criminosas.

Não é microcriminalidade urbana. É essa a avaliação apontada publicamente pelo Procurador Nacional Antimafia e pelo procurador de Bari: trata‑se de uma criminalidade que, em capacidade de penetração econômica e controle territorial, pode ser considerada — em determinados aspectos — mais grave que a siciliana e a calabresa. Em consequência, essas autoridades pediram mais magistrados, mais efetivos em uniforme e reforço real dos instrumentos operativos. Até o momento, porém, essa demanda não se converteu em uma estratégia articulada de médio e longo prazo por parte da política nacional.

Outro ponto sensível é a confusão entre reforço permanente e contingenciamento sazonal. Apresentar "reforços de verão" em áreas onde a criminalidade estabeleceu estruturas econômicas e sociais é, do ponto de vista operacional, pouco eficaz. Todo ano há deslocamentos temporários de pessoal para feriados e operações pontuais; isso não substitui a presença estável de unidades especializadas e de uma magistratura reforçada para sustentar investigações complexas e acompanhar processos de longa duração.

Em resumo: a realidade traduzida pelas fontes no terreno indica que magistrados e policiais continuam, em larga medida, a atuar sozinhos, sem o arcabouço institucional permanente necessário para enfrentar uma criminalidade em metamorfose. O cenário exige, com urgência, um plano concreto — com alocação plurianual de recursos, criação e estabilização de unidades especializadas, aumento efetivo do quadro de magistrados e medidas fiscais e administrativas para cortar as vias de penetração económica das organizações.

Apuração contínua seguirá: a Espresso Italia manterá o levantamento in loco e o cruzamento de documentos e depoimentos para acompanhar se a retórica política dará lugar às medidas estruturais necessárias.