Absolvição de Louis Dassilva no caso Pierina Paganelli: “Graças às minhas esposas suportei a prisão”

Louis Dassilva foi absolvido por falta de provas no caso Pierina Paganelli; agradeceu às esposas e disse que quer permanecer na Itália.

Absolvição de Louis Dassilva no caso Pierina Paganelli: “Graças às minhas esposas suportei a prisão”

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Absolvição de Louis Dassilva no caso Pierina Paganelli: “Graças às minhas esposas suportei a prisão”

Em encontro restrito com a imprensa, no escritório dos seus advogados, os defensores Riario Fabbri e Andrea Guidi, Louis Dassilva falou pela primeira vez após a absolvição no julgamento pelo assassinato de Pierina Paganelli. A Corte d'Assise considerou insuficientes as provas e proferiu a sentença de não condenação por falta de elementos que sustentassem a hipótese penal.

O acesso à coletiva foi controlado: houve apenas declarações do réu e não foram permitidas perguntas pelos jornalistas. Em síntese das falas divulgadas, Dassilva agradeceu publicamente o apoio recebido nas últimas semanas, mencionando mensagens, cartas e gestos de carinho que, segundo ele, foram determinantes para suportar o período preso. “Grazie a chi in questi mesi mi ha sostenuto anche con messaggi, con lettere e con affetto. Io voglio restare in Italia. È un Paese che mi piace, è il mio sogno e non voglio andare via”, afirmou, segundo o registro feito por nossa apuração.

Em tom direto e contido, o homem ressaltou ainda a importância do núcleo familiar no enfrentamento do cárcere: “Ringrazio le mie mogli perché se ho avuto pazienza è grazie a loro”, disse, indicando que mantém vínculos familiares e responsabilidade por filhos. A reportagem verificou que Dassilva tem dois filhos com uma das esposas, que atualmente reside no Senegal. Ele declarou que, assim que possível, viajará até lá para visitá-la antes de retornar à Itália.

O desfecho judicial — absolvição por insuficiência de provas — marca uma reviravolta no processo que acompanhamos com cruzamento de fontes e apuração técnica. A Corte não atribuiu autoria do crime por falta de elementos probatórios capazes de demonstrar, além da dúvida razoável, a responsabilidade penal. Nossa cobertura seguirá acompanhando eventuais recursos, do Ministério Público ou de outras partes interessadas, e a possibilidade de novas diligências.

Do ponto de vista processual, a decisão evidencia a centralidade do ônus da prova em julgamentos por crimes graves: sem demonstração inequívoca do nexo causal e da materialidade, a jurisprudência penal italiana — e, por extensão, a aplicabilidade nas instâncias competentes — tende a privilegiar a libertação do réu. Nesse contexto, a declaração de Dassilva de permanecer no país ganha relevo prático: há implicações administrativas e pessoais a serem geridas após a saída do sistema prisional.

Na leitura jornalística e técnica que adotamos, duas informações permanecem como fatos brutos e verificáveis: a sentença de absolvição proferida pela Corte d'Assise por falta de provas, e as palavras públicas do absolvido, manifestando gratidão às esposas e intenção de manter residência ou vínculo com a Itália. Continuaremos a acompanhar o caso com apuração in loco e cruzamento de fontes juridicamente relevantes, reportando qualquer movimentação processual subsequente.

Apuração de Giulliano Martini, correspondente — reportagem baseada em declarações públicas no escritório dos advogados Riario Fabbri e Andrea Guidi e em registros do julgamento.