Cortejo em Amendolara exige legalidade e segurança após quatro trabalhadores rurais queimados vivos
Cortejo em Amendolara pede legalidade e segurança após quatro trabalhadores rurais, três afegãos e um paquistanês, serem queimados vivos; prisões confirmadas.
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Cortejo em Amendolara exige legalidade e segurança após quatro trabalhadores rurais queimados vivos
Começou hoje a manifestação convocada pela CGIL nas ruas de Amendolara Marina, em resposta ao assassinato de quatro trabalhadores rurais - três afegãos e um paquistanês - queimados vivos na última segunda-feira. À frente do cortejo seguem o secretário-geral Maurizio Landini e o líder da Flai Cgil, Giovanni Mininni.
Milhares de pessoas participam do ato, que reúne delegações de operários estrangeiros e trabalhadores vindos de diversas partes da Itália. O cortejo segue de maneira ordenada, com cânticos e palavras de ordem centradas na exigência de legalidade e segurança no trabalho. Entre os slogans, repete-se a consigna: “Basta morti e clandestinità” — basta mortes e clandestinidade.
Ontem foram realizados os exames de autópsia nos corpos carbonizados do paquistanês Waseem Khan, 29 anos, e dos afegãos Amin Fazal Khogjani, 28 anos, Ullah Ismat Qiemi, 19 anos, e Safi Iayjad, 27 anos. A promotora de Castrovillari, Roberta Bello, incumbiu o perito Dr. Biagio Solarino, da Universidade de Bari, de realizar as análises médico-legais.
Foram confirmadas e convalidadas as prisões preventivas dos dois suspeitos de nacionalidade paquistanesa, identificados como Alì Razae e Ahmed Safeer, para os quais foi emitida ordinanza de custódia em carcere. A Procura os acusa de homicídio múltiplo, em forma agravada.
O relato do único sobrevivente recolhido nas investigações aponta direto motivo para a violência: “Ci volevano uccidere perché avevamo chiesto i soldi o un contratto lavorativo” — tentaram nos matar porque pedimos pagamento ou um contrato de trabalho. Para o juiz de garantia, os trabalhadores foram “puniti solo per aver avanzato delle pretese retributive e di regolarizzazione contrattuale” — punidos apenas por reivindicar salários e regularização contratual. Segundo depoimentos, os agredidos recusavam viver em dez pessoas numa só habitação.
Antes do episódio fatal, uma rixa matinal teria envolvido uma das vítimas, o irmão de Alì e Safeer. Na briga, Safeer teria sido lesionado, com tumefação no zigoma direito, fato mencionado pelos advogados de defesa na audiência preliminar. De acordo com as investigações, Alì chegou a telefonar ao 112 para solicitar a intervenção das forças de ordem visando a contenção da discussão. A versão da rixa foi relatada pelo próprio Alì a um conhecido, que então comunicou os investigadores.
Após a altercação, o grupo dirigiu-se ao trabalho agrícola em Scanzano. No retorno, ocorreu a tragédia: segundo o decreto do juiz de Castrovillari, Orvieto Matonti, os acusados “deram alle fiamme ben cinque persone, uccidendone quattro e tentando di ucciderne una quinta, per futili motivi, con crudeltà e con premeditazione”, demonstrando capacidade de violência extrema sem razões plausíveis. O magistrado ressalta ainda que, ao longo do processo até o momento, os detidos não demonstraram sinais de arrependimento, mantendo “una ferma e glaciale risoluzione criminosa per tutto il tempo necessario per vederli consumare dal rogo”.
Na mobilização de hoje, sindicatos e comunidades pedem que o caso seja tratado como um ponto de virada: exigem medidas concretas para combater a ilegalidade nas relações de trabalho no campo, condições dignas de habitação para trabalhadores migrantes e verificações eficazes sobre contratos e remuneração. A apuração em curso, cruzamento de fontes e perícias técnicas serão determinantes para o desfecho judicial.
Esta redação continuará acompanhando a investigação e a tramitação das medidas judiciais e sindicais, com apuração in loco e cruzamento de documentos oficiais para atualizar os fatos com precisão.