Análise de esgoto em 115 cidades europeias: MDMA cai 16%, cocaína e ketamina disparam

Estudo em 115 cidades europeias mostra queda de MDMA (-16%) e aumento de cocaína e ketamina, com dados de águas residuais e análise por cidade.

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Análise de esgoto em 115 cidades europeias: MDMA cai 16%, cocaína e ketamina disparam

Relatório europeu baseado na análise de águas residuais em 115 cidades revela mudanças claras nos padrões de consumo de drogas: queda de MDMA e aumento expressivo de cocaína e ketamina. A investigação, sistemática e centrada em dados brutos coletados em rede, oferece um retrato quantitativo do uso de substâncias em áreas urbanas do continente.

O estudo intitulado "Wastewater analysis and drugs - a European multi-city study" foi produzido pelo grupo Sewage Analysis Core Group Europe (SCORE) em colaboração com o centro europeu de monitoramento de drogas. Foram analisadas amostras diárias de águas residuais coletadas nos sistemas de tratamento de 115 cidades localizadas em 25 países (23 Estados‑membros da União Europeia, além de Noruega e Turquia). As coletas cobriram um período de uma semana entre março e maio de 2025 e referem-se a uma população combinada de aproximadamente 72 milhões de habitantes.

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As amostras foram testadas para cinco estimulantes — anfetamina, cocaína, metanfetamina, MDMA e ketamina — além de cannabis. O levantamento mostra que, embora existam variações locais significativas, as seis substâncias foram detectadas em quase todas as cidades participantes, o que confirma a difusão urbana do consumo.

Entre 2024 e 2025, o carregamento total de MDMA nas águas residuais diminuiu cerca de 16% nas cidades que forneceram dados comparáveis para ambos os anos. A redução foi mais notória em localidades da Alemanha, Áustria e Eslovênia, e excedeu o declínio observado em 2020, período marcado pelas limitações de circulação impostas pela pandemia de Covid‑19. Ainda assim, os maiores níveis de MDMA em 2025 foram registrados em cidades da Bélgica, Espanha, Países Baixos e Eslovênia; a substância foi encontrada em todas as cidades analisadas, exceto em Nova Gorica (Eslovênia).

Contrapondo a queda do MDMA, o relatório aponta aumentos significativos na presença de cocaína e ketamina nas águas residuais, sinalizando uma mudança de perfil no consumo. Os dados para anfetamina, metanfetamina e cannabis exibem trajetórias divergentes entre as diferentes localidades, sem um padrão uniforme para toda a amostra.

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No caso italiano, as coletas em Milão foram conduzidas pelo Istituto Mario Negri, com financiamento do Departamento para le politiche contro la droga e le altre dipendenze da Presidência do Conselho dos Ministros. Em Milão, diferentemente de muitas outras cidades, o uso de MDMA manteve‑se estável no período analisado.

Essa metodologia — conhecida como análise de águas residuais — funciona como um indicador objetivo e em tempo quase real do consumo de drogas em populações urbanas. Para autoridades de saúde pública e formuladores de políticas, os dados representam uma ferramenta valiosa para identificar tendências emergentes e ajustar estratégias de prevenção e intervenção sem depender exclusivamente de relatórios clínicos ou de apreensões policiais.

O relatório completo fornece um painel detalhado por cidade e substância, permitindo o cruzamento temporal e geográfico dos resultados. O diagnóstico por esgoto reafirma o papel da vigilância ambiental como fonte de informação robusta sobre comportamentos coletivos relacionados a substâncias psicoativas.

Autor: Giulliano Martini, Espresso Italia — apuração em campo e cruzamento de fontes para tradução direta dos fatos.

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