Autópsia aponta dúvidas sobre autoria do crime em Pietralata; investigação mira balística, toxicológico e dívidas por tratamento no México
Autópsia em Pietralata mantém dúvidas sobre autoria; investigação mira laudos balísticos, toxicológicos e gastos com tratamento no México.
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Autópsia aponta dúvidas sobre autoria do crime em Pietralata; investigação mira balística, toxicológico e dívidas por tratamento no México
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: os primeiros laudos periciais sobre o caso da família encontrada morta em Pietralata, bairro de Roma, não permitem concluir, de forma definitiva, que tudo tenha sido cometido pelo pai. A autópsia foi realizada pelo equipe de Medicina Legal da Sapienza, coordenada pelo professor Vittorio Fineschi, e levantou mais perguntas do que respostas.
Segundo o relatório preliminar, foram disparados quatro projéteis que atingiram o casal — Luca Abbasciano e Valentina Pambianco — e a filha de 5 anos, identificada como Bianca. Também foi encontrado o cão da família morto. Apenas um dos tiros foi dirigido à têmpora. Ainda não há elementos objetivos que corroborem, sem ressalvas, a hipótese de uma única mão responsável por todos os disparos.
Os peritos destacam que será necessário aguardar o resultado dos exames complementares, em especial o laudo balístico e o exame tossicológico. Essas análises são cruciais para estabelecer sequenciamento dos disparos, distância entre arma e vítimas, e o estado de consciência dos envolvidos no momento dos fatos — isto é, se a criança estava dormindo e se a mãe estava ou não consciente.
Na casa, foram encontrados bilhetes com a mensagem — traduzida — "Sozinhos não damos conta" ("Da soli non ce la facciamo"), evidência que, até o momento, reforça a linha investigativa de um omicídio-suicídio. A Procuradoria de Roma já instaurou inquérito por homicídio e os carabinieri apreenderam celulares e computadores da família para perícia digital.
Os investigadores também concentram esforços na pista financeira: os pais alegavam enfrentar despesas elevadas com os tratamentos médicos da filha. Há indícios de gastos significativos e de tentativas recorrentes de buscar terapias no exterior. Segundo o material reunido até agora, havia planos, e pagamentos efetuados, para uma viagem a Monterrey, no México — possivelmente o terceiro deslocamento buscado pela família em busca de esperança terapêutica.
O destino indicado nos documentos levantados é a clínica NeuroCytonix, dirigida pelo médico José Roberto Trujillo, onde se oferece um protocolo experimental com um dispositivo denominado Cytotron. O tratamento combina ondas de radiofrequência e aquilo descrito como "ressonância magnética rotacional" para estímulo de tecidos em casos de paralisia cerebral infantil. Fontes oficiais e documentos preliminares indicam custos elevados — na ordem de centenas de milhares de euros — e permanências longas, condições que pesaram nas decisões financeiras da família.
Além do cenário econômico, a investigação busca também compreender o contexto psicológico: relatos e evidências apontam para o isolamento da família e para dificuldades marcantes na gestão dos cuidados de uma criança com necessidades complexas, assim como tensões relacionadas à aceitação da condição de saúde da menina.
Os próximos passos periciais — laudos balísticos, análises toxicológicas e perícia nos dispositivos eletrônicos — deverão fornecer o quadro mais claro para os magistrados e para os investigadores. Até a conclusão desses exames, a Procuradoria mantém a hipótese de omicídio seguido de suicídio como linha principal, mas sem excluir outras possibilidades que venham a emergir dos dados forenses.
O caso segue sob sigilo parcial, e as autoridades prometem atualizar a investigação à medida que novos elementos forem avaliados. A apuração prossegue com prioridade para a verificação técnica e o cruzamento absoluto de provas — a realidade traduzida pelos fatos, sem espaço para conjecturas prematuras.

