Investigação revela: Banksy é Robin Gunningham, link com obras na Ucrânia confirma identificação
Investigação da Reuters aponta Robin Gunningham como Banksy; obras na Ucrânia foram cruciais para a identificação. Advogado nega. Saiba mais.
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Investigação revela: Banksy é Robin Gunningham, link com obras na Ucrânia confirma identificação
Apuração rigorosa e cruzamento de evidências indicam um desfecho significativo para o segredo que envolveu a arte urbana contemporânea por décadas. Uma investigação internacional liderada pela agência Reuters concluiu que o pseudônimo Banksy corresponderia a Robin Gunningham, natural de Bristol, nascido em 1973, que posteriormente teria adotado o nome David Jones, homônimo do nome de batismo de David Bowie.
O trabalho, publicado com o título "In Search of Banksy" e assinado pelos repórteres Simon Gardner, James Pearson e Blake Morrison, é resultado de apuração in loco, análise de vídeos, rastreamento de deslocamentos e depoimentos reunidos em campo. Entre os elementos decisivos para a identificação está uma série de intervenções realizadas em 2022 na Ucrânia, reivindicadas pelo próprio Banksy por meio de sua conta no Instagram. Essas obras serviram como peça-chave para encadear movimentos e contatos do artista.
Os repórteres visitaram os locais das intervenções, com especial atenção à localidade de Horenka, onde coletaram relatos de moradores e mostraram fotografias de diversos artistas de rua para averiguação. A reportagem descreve como o conjunto de provas — fotos, testemunhos e análise de itinerários — permitiu reconstruir a identidade atribuída ao artista.
A própria Reuters já havia indicado que a investigação, que durou cerca de um ano, havia chegado "o mais perto possível" de revelar quem está por trás do nome artístico, mantendo no entanto cautela editorial. Fotos atribuídas a Gunningham foram publicadas durante a apuração, o que motivou reação imediata da gestão ligada ao artista, que negou a divulgação como definitiva.
O relatório também aponta colaboração estreita entre Robert Del Naja, líder do grupo trip-hop Massive Attack, e o artista atribuído ao pseudônimo. Segundo a investigação, os dois trabalharam em obras conjuntas, o que reforça hipóteses levantadas por anos em círculos culturais e jornalísticos.
Provas fotográficas já haviam sido divulgadas por outros veículos. No ano anterior, a BBC publicou imagens do jovem que seria o artista, registradas durante oficinas em Bristol nos anos 1990, cedidas por Peter de Boer, responsável por um centro juvenil que contratou o artista emergente para workshops. Na ocasião, o pagamento era simbólico — 50 libras por sessão — antes de as intervenções do autor alcançarem valores milionários no mercado.
Em resposta à publicação da Reuters, o advogado do artista, Mark Stephens, afirmou que o cliente considera incorretos muitos dos detalhes do trabalho jornalístico e advertiu que a divulgação de tais informações poderia violar a privacidade do artista. A reação oficial reabre debate sobre direitos pessoais, anonimato artístico e interesse público.
Esta reportagem segue o critério do jornalismo investigativo: fatos apurados, fontes cruzadas e relato contido. A descoberta atribuída à Reuters altera a paisagem da arte urbana contemporânea, mas deixa em aberto discussões jurídicas e éticas que devem prosseguir nos próximos dias.


