Beatrice Venezi impugna rescisão com o Teatro La Fenice: alega medida 'ilegítima e discriminatória'

Beatrice Venezi impugna rescisão com o Teatro La Fenice, alegando ato ilegítimo e discriminatório; advogados enviaram notificação por PEC em 9 de junho.

Beatrice Venezi impugna rescisão com o Teatro La Fenice: alega medida 'ilegítima e discriminatória'

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Beatrice Venezi impugna rescisão com o Teatro La Fenice: alega medida 'ilegítima e discriminatória'

Por Giulliano Martini — Em comunicação formal enviada à Fondazione Teatro La Fenice, a maestrina Beatrice Venezi impugnou a rescisão do contrato de colaboração que a vinculava ao teatro veneziano, qualificando o ato como ilegitimo e discriminatório. A contestação foi apresentada por meio de carta assinada por seus advogados e obtida para conferência pela reportagem após o devido cruzamento de fontes.

Segundo o teor da notificação — encaminhada por posta eletrônica certificata na noite de 9 de junho aos responsáveis da Fundação — Venezi alega ter tomado conhecimento da decisão apenas pelos veículos de imprensa. A comunicação pública emitida em 26 de abril pelo sovrintendente Nicola Colabianchi anunciava a interrupção do vínculo de trabalho “por presunte e apodittiche 'dichiarazioni'” atribuídas à maestrina perante uma não identificada “imprensa internazionale”, que, segundo a Fundação, teriam prejudicado a imagem da instituição.

Na peça enviada pelos advogados, a dirigente musical ressalta que as supostas declarações não foram especificadas pela Fundação e que a motivação adotada pela administração é genérica e insuficiente para justificar a anulação contratual. O documento sublinha que o vínculo foi formalizado por meio de um contrato de colaboração coordenada e continuativa com vigência indicada de 1º de outubro de 2026 a 5 de março de 2030, e que, portanto, a antecipação da resolução contraria os termos pactuados.

Os procuradores argumentam que o ato administrativo é nulo, ilegítimo, ineficaz e configura tratamento discriminatório contra sua assistida. A defesa enfatiza a ausência de identificação clara das declarações que teriam ensejado a medida, além de apontar a insuficiência probatória anexada à decisão da direção da Fundação.

Em paralelo à impugnação, Venezi manifesta disponibilidade expressa para cumprir as obrigações contratuais, afirmando que pretende “continuar a colocar à disposição da mesma Fondazione as próprias energias e prestações artísticas profissionais” e executar “todas as atividades profissionais, organizativas e produtivas preliminares e essenciais” ao exercício do encargo. A carta menciona, contudo, que já teriam sido postas em prática pela cúpula da administração diversas ações que dificultam e limitam a execução de suas funções.

O documento recebeu a assinatura da própria maestrina e dos advogados Maria Cristina Lanero e Francesco Andretta, do Studio Legale Andretta de Nápoles, escritório especializado em direito do trabalho. Os juristas reservam-se o direito de adotar “os provvedimenti ritenuti più opportuni e prudenziali” em defesa dos direitos e interesses de Venezi.

A questão segue sob análise da Fundação nesta data. A reportagem mantém apuração em curso e o compromisso de cruzar documentos e depoimentos para mapear eventuais lacunas processuais ou violações formais no procedimento adotado pela administração do Teatro La Fenice. Fatos brutos, documentação e prazos serão monitorados para atualização imediata da matéria.