Campi Flegrei: novo sismo de magnitude 3.3 perto da Solfatara; INGV alerta para risco de explosões freaticas

Novo sismo de M3.3 nos Campi Flegrei perto da Solfatara; INGV avalia risco de explosões freaticas. Sem danos, verificações em andamento.

Campi Flegrei: novo sismo de magnitude 3.3 perto da Solfatara; INGV alerta para risco de explosões freaticas

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Campi Flegrei: novo sismo de magnitude 3.3 perto da Solfatara; INGV alerta para risco de explosões freaticas

Campi Flegrei registraram novo episódio sísmico na madrugada desta terça-feira. O tremor mais significativo ocorreu às 04h32, com magnitude preliminar de 3.3, profundidade estimada em 2,4 km e epicentro nos arredores da Solfatara. Seis minutos depois, às 04h38, a população da área entre Pozzuoli e alguns bairros de Napoli sentiu outro abalo, de magnitude 2.6. Não há, até o momento, relatos de danos materiais; verificações seguem em curso.

Em contato com a reportagem, o presidente do INGV, Fabio Florindo, fez um quadro técnico e direto: "o sistema está em movimento, e antes ou depois algo acontecerá. É um vulcão ativo. O Vesúvio também, um dia, terá erupção. Mas hoje o magma não está se movendo". Florindo ressaltou que a principal preocupação atual não é uma erupção típica, e sim as possíveis explosões freaticas, fenômenos imprevisíveis em sistemas hidrotermais ativos.

Na síntese técnica do instituto há dois conceitos que frequentemente se confundem na comunicação pública: o bradisismo e o risco sísmico. "O primeiro é um processo lento de levantamento ou subsidência do solo, característico de áreas vulcânicas. Nos Campi Flegrei estamos em fase de levantamento há mais de 20 anos, totalizando aproximadamente 145 centímetros. Esse levantamento é provocado por gases quentes sob pressão — não por magma emergente", explicou Florindo, em relato que reflete cruzamento de dados sísmicos e geodésicos feito pelo INGV.

Segundo o presidente, o padrão é de uma espécie de "campâna" que se eleva a partir do centro dos Rioni Terra, submetendo a crosta circundante a tensões. "A crosta se deforma e, periodicamente, libera energia: geram-se fraturas e pequenos sciami sismici (surtos sísmicos)". O evento desta madrugada teve epicentro na área do cratere dos Astroni, mais interno que o tremor registrado ontem, mas ainda assim dentro da área em levantamento.

Florindo detalhou o risco mais concreto: "não é tanto a erupção clássica que nos preocupa, e sim as explosões freaticas. Em um sistema hidrotermal ativo, se gases quentes entram em contato com lençóis freáticos rasos, podem ocorrer explosões que lançam solo, estradas e edificações ao ar. Esses eventos são de difícil previsão". Acrescentou que o INGV opera uma das redes de monitoramento mais avançadas do planeta, com estações sísmicas, redes GPS e sensores hidrotermométricos que permitem acompanhar a evolução do sistema em tempo real.

Apuração em campo, cruzamento de fontes institucionais e os dados de monitoramento indicam que o cenário atual é de ativação sísmica localizada e contínua. As autoridades locais e o INGV mantêm vigilância e atualizações periódicas. A recomendação técnica é de calma, manter-se informado pelos canais oficiais e aguardar os resultados das verificações em andamento.

Fatos brutos: tremor M3.3 às 04h32 (profundidade 2,4 km) com epicentro próximo à Solfatara; novo abalo M2.6 às 04h38 sentido em Pozzuoli e bairros de Napoli; sem danos reportados; INGV reitera monitoramento intensivo e alerta para risco de explosões freaticas.