Carmelo Cinturrino é oficialmente destituído da Polícia após acusação de homicídio em Rogoredo
Carmelo Cinturrino foi destituído após ser acusado do homicídio de Abderrahim Mansouri em Rogoredo; investigação aponta premeditação e irregularidades.
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Carmelo Cinturrino é oficialmente destituído da Polícia após acusação de homicídio em Rogoredo
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Carmelo Cinturrino, ex assistente‑chefe da Polícia de Estado destacado no Commissariato Mecenate, foi oficialmente destituído de suas funções após as graves acusações que pesam contra ele pelo homicídio de Abderrahim Mansouri, ocorrido no chamado “Boschetto della droga” em Rogoredo, em 26 de janeiro.
A decisão de expulsão foi assinada pelo Capo della Polizia, Vittorio Pisani, em 20 de maio, e comunicada a Cinturrino enquanto ele já se encontrava preso — a notificação chegou em 22 de maio na prisão milanesa de San Vittore. A informação foi divulgada oficialmente hoje, integrando o conjunto de medidas disciplinares relacionadas ao caso.
Segundo o conjunto probatório reunido pelos investigadores, no dia 26 de janeiro Cinturrino teria disparado um único tiro contra o corpo de Mansouri, mirando a silhueta e efetuando o disparo “com consciência e vontade”. Após o crime, diz a acusação, o ex‑agente teria planejado uma encenação: deixou próximo ao cadáver uma pistola falsa e tentou desviar as investigações por meio de mentiras e pressão sobre colegas, no sentido de forjar uma narrativa de legítima defesa que, conforme a investigação, não ocorreu.
O quadro processual é amplo. Além do homicídio voluntário, o Ministério Público imputa a Cinturrino a agravação por premeditação. Entre os demais delitos atribuídos ao ex‑policial figuram extorsão, agressões físicas, tráfico de drogas, sequestro de pessoa, concussão (abuso de autoridade), prisão ilegal, calúnia, falsificação, depistagem e roubo. No total, sete agentes da Polícia são atualmente alvo de investigação, somando 43 pontos de imputação.
O Tribunal do Riesame, em decisão de 5 de maio, rejeitou pedidos de concessão de prisão domiciliar para Cinturrino, mantendo a medida de custódia cautelar em estabelecimento prisional. A manutenção da prisão preventiva reforça o entendimento judicial sobre a gravidade das provas e o risco processual identificado pela acusação.
As apurações revelaram, segundo documentos judiciais, a existência de um grupo de atuação interna que, desde 2024, teria operado em alguns episódios em Milão fora dos limites legais. O inquérito abriu uma fenda institucional: a hipótese é de práticas irregulares que vão além do episódio fatal e apontam para condutas sistemáticas de violação de deveres por parte de membros da corporação.
Como repórter que acompanha a investigação, registro que os elementos do processo — perícias balísticas, depoimentos e cruzamento de registros operacionais — serão determinantes para a evolução da ação penal. Não há nesta etapa decisões de mérito, apenas medidas cautelares e disciplinares. A destituição de Cinturrino é, entretanto, um ato administrativo concreto que retira dele qualquer prerrogativa funcional e marca o expressivo impacto institucional do caso.
Continuarei o acompanhamento do processo e da tramitação disciplinar com apuração contínua, cruzamento de documentos e entrevistas com fontes judiciais e policiais, para trazer à luz os fatos brutos e a realidade traduzida do episódio.