Caso Equalize: Procuradoria de Milão notifica cerca de 20 empresas, entre elas Eni e Luxottica
Procura de Milão notifica cerca de 20 empresas no caso Equalize, incluindo Eni, Luxottica e Dentons; investigação mira exfiltração de dados e falhas no compliance.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Caso Equalize: Procuradoria de Milão notifica cerca de 20 empresas, entre elas Eni e Luxottica
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: a investigação da Procura de Milão, coordenada pelo procurador Marcello Viola, ampliou o rol de indiciados no chamado caso Equalize. Em um desdobramento que atinge multinacionais, estatais e escritórios de advocacia internacionais, promotores milaneses notificaram avisos de garantia a cerca de vinte sociedades cujos dirigentes teriam, segundo a acusação, encomendado dossiers e interceptações ilícitas ao grupo de via Pattari.
O elenco de empresas sob suspeita, reunido pelos promotores Eugenio Fusco e Francesco De Tommaso, inclui nomes de peso como Eni e Luxottica, além de companhias como Erg, Heineken, Barilla e o grupo de logística Brt. Também recebeu notificação o escritório internacional Dentons, já mencionado em investigações anteriores ligadas à grande operação conduzida pela Procuradoria.
Entre as sociedades diretamente relacionadas à rede investigada está a própria Equalize, de Milão, cujo único sócio remanescente identificado é o ex-presidente da Fondazione Fiera, Enrico Pazzali. Foi também notificada a empresa Mercury, ligada ao hacker Samuele 'Sam' Calamucci, figura que, segundo documentos da investigação, vem colaborando com os inquirentes e cujo depoimento tem sido testado pelas autoridades.
Outro nome destacado no inquérito é a sociedade Fenice, do empresário romano Lorenzo Sbraccia, que responde ainda em outro ramo processual por acusações de acesso abusivo a sistemas informáticos e tentativa de extorsão com agravante de método mafioso - fatos que hoje tramitam em processo ordinário.
Entre as razões que levaram à notificação de empresas como a Eni está a solicitação, pelo ROS dos Carabinieri, de apresentação de documentos internos, em especial do modelo organizacional previsto pela lei 231 sobre responsabilidade administrativa das entidades. A acusação sustenta que aquele modelo não teria impedido a conduta ilícita atribuída a um dirigente da companhia, o chefe de assuntos jurídicos Stefano Speroni.
O núcleo das imputações corporativas deriva das condutas pessoais já apontadas na recente conclusão parcial das investigações, que focalizam a rede de clientes da Equalize. A Speroni é imputado por suposto acesso abusivo a sistemas do Ministério do Interior com exfiltração de dados relativos ao empresário Francesco Mazzagatti, fornecedor da Eni. A mesma linha de acusação envolve advogados do escritório Dentons, o ex-policial Carmine Gallo — já falecido —, o hacker Samuele Calamucci e o ex-marechal da Guardia di Finanza Giuliano Schiano.
Documentos da acusação descrevem que Schiano teria atuado a pedido de Giulio Cornelli, mediante pagamento, para, fora das atribuições institucionais, realizar acessos indevidos e transmitir informações ilícitas extraídas de bases de dados por meio de canais de comunicação, inclusive criptografados. Essas operações, segundo a Promotoria, teriam abastecido dossiês requisitados por advogados que representavam interesses privados.
O caso segue em fase de apuração, com notificações entregues em sequência entre ontem e hoje. A complexidade das ligações entre indivíduos, prestadores de serviços e grandes corporações impõe agora o exame detalhado dos modelos de compliance e das condutas internas que possam ter facilitado ou permitido as práticas investigadas. A Procuradoria de Milão, conforme a documentação, amplia o inquérito para avaliar responsabilizações individuais e, potencialmente, da esfera administrativa das entidades envolvidas.
Este é um episódio que coloca em foco o cruzamento entre espionagem privada, redes de fornecimento de informação e as falhas de governança corporativa. A apuração continuará sendo acompanhada de perto, com ênfase no rigor probatório e no escrutínio técnico das comunicações e dos processos internos implicados.