Caso Garlasco: Alberto Stasi é condenado a 16 anos pela Cassação após duas absolvições
Cassação confirma condenação de Alberto Stasi a 16 anos pelo homicídio de Chiara Poggi em Garlasco; novo indiciado abre caminho para revisão.
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Caso Garlasco: Alberto Stasi é condenado a 16 anos pela Cassação após duas absolvições
A decisão definitiva da Corte de Cassação colocou um ponto final provisório em uma das páginas mais controversas da justiça penal italiana dos últimos anos. Alberto Stasi, o ex-estudante da Bocconi por vezes descrito pela imprensa como o 'bocconiano de olhos de gelo', foi confirmado como culpado e condenado a 16 anos de prisão pelo homicídio de Chiara Poggi, ocorrido em 13 de agosto de 2007 na pequena vila de Garlasco.
O veredicto, que manteve a condenação do processo de apelo-bis, chega após uma trajetória processual marcada por tornados judiciais: duas absolvições, em 2009 e 2011, e o retorno do caso ao circuito recursal que terminaria na decisão da Suprema Corte. São fatos brutos e documentados, resultado do cruzamento de provas que, para os magistrados, apontam Stasi como o autor do crime.
Remontando à noite do crime: o corpo de Chiara foi encontrado ao pé da escada que leva à tavernetta da casa. Foi o próprio Stasi quem telefonou ao 118 para solicitar socorro — um gesto que, aos olhos de parte da investigação e do tribunal, foi interpretado com suspeita devido à aparente compostura e frieza do rapaz, então com 24 anos.
O contraste entre a representação construída pelos juízes — que falam de uma convivência que teria se tornado insustentável e levado ao homicídio — e a imagem pública de um jovem magro, de cabelos claros e óculos, que sempre proclamou inocência, alimentou debates acalorados. Entre os elementos reiterados pelos julgadores está a conclusão de que a vítima se tornara "uma presença perigosa e incômoda" na vida do condenado.
Desde o episódio, os laços com a família de Chiara Poggi se romperam. Stasi foi inicialmente detido, liberado e absolvido em duas ocasiões antes de a maré processual virar novamente. Paralelamente ao processo penal, Stasi concluiu seus estudos: graduou-se com 110 e lode em Economia e Legislazione per l'impresa na Universidade Bocconi.
O custo humano do caso também se fez presente fora dos autos. Pouco antes do novo apelo, Stasi perdeu o pai, falecido no dia de Natal aos 57 anos; familiares atribuíram a deterioração da saúde dele ao stress provocado pela reabertura do processo.
Nos meses recentes, com Stasi beneficiário de regimes de cumprimento de pena menos restritivos por bom comportamento, a investigação em Pavia reabriu perguntas: outro nome entrou no foco dos investigadores, o de Andrea Sempio, agora indagado em conexão com o homicídio. A nova linha investigativa abre a possibilidade — que os advogados de Stasi já sinalizam — de um pedido de revisão do processo.
Em linhas duras: a Cassação confirmou hoje uma sentença que volta a colocar Alberto Stasi atrás das grades por 16 anos, mas a presença de um novo indiciado e a disposição dos defensores em buscar revisão mantêm o caso vivo no tabuleiro jurídico. Seguiremos a apuração em Pavia e os passos dos recursos, com cruzamento de fontes e leitura estrita dos autos.