Caso Garlasco: Procura de Pavia encerra inquérito e aponta Andrea Sempio como autor do homicídio de Chiara Poggi

Procura de Pavia encerra inquérito e aponta Andrea Sempio como autor do homicídio de Chiara Poggi; possível pedido de revisão do caso contra Stasi.

Caso Garlasco: Procura de Pavia encerra inquérito e aponta Andrea Sempio como autor do homicídio de Chiara Poggi

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Caso Garlasco: Procura de Pavia encerra inquérito e aponta Andrea Sempio como autor do homicídio de Chiara Poggi

Por Giulliano Martini — A Procuradoria de Pavia formalizou a conclusão da primeira fase da reabertura do Caso Garlasco e indicou, em documento oficial, Andrea Sempio como o único novo indiciado. O aviso de encerramento das investigações marca uma virada na apuração, que há mais de um ano vinha acumulando perícias, exames e diligências técnicas.

Segundo o relatório dos procuradores — com a assinatura do procurador-adjunto Stefano Civardi e das promotoras Valentina De Stefano e Giuliana Rizza — a reconstrução probatória aponta que, na manhã de 13 de agosto de 2007, a vítima Chiara Poggi foi assassinada “com ódio e crueldade”. A peça de acusação descreve uma sequência de agressões que, na avaliação do Ministério Público, não coaduna com a versão inscrita na sentença que condenou Alberto Stasi, atualmente cumprindo pena de 16 anos.

O inquérito reaberto concentrou perícias de alto nível técnico: a análise das manchas de sangue (a chamada Bpa) foi conduzida pelo tenente‑coronel Andrea Berti, do RIS de Cagliari, e a leitura anatomo‑patológica ficou a cargo da professora Cristina Cattaneo. Com base nesses elementos, os promotores refizeram a cronologia dos fatos e deslocaram o início da agressão: não antes das 9h45, meia hora depois do horário aceito na investigação anterior.

De acordo com a nova acusação, o autor teria aproveitado a porta entreaberta da residência — depois de desativar o alarme, alegadamente para permitir a saída dos gatos — para entrar sem ser visto. A motivação apontada é uma tentativa de abordagem de teor sexual recusada por Chiara, que teria respondido com um lacônico "não quero falar com você".

Os promotores descrevem um ataque violento: agressões iniciais a mãos nuas seguidas de golpes, supostamente desferidos com um martelo de cabo de corvo, retirado de uma caixa de ferramentas pertencente ao pai da vítima. Os peritos contabilizam pelo menos 12 impactos, correspondentes às lesões no rosto e na cabeça, que teriam acompanhado a vítima desde a sala até a área próxima ao telefone e, posteriormente, nas proximidades da escada para o porão. Lá, segundo a reportagem forense, a jovem foi arrastada e deixada até o fundo do subsolo.

A peça instrutória qualifica a conduta como homicídio cometido com as agravantes de ódio e crueldade e sustenta que Andrea Sempio agiu sozinho. A defesa do indiciado tem afirmado que o caso se transformou num espetáculo público, com Sempio relatando que "nas chat me seguem", lamentando a exposição.

Com a formalização do encerramento das investigações, a Procuradoria de Pavia executou o movimento processual que pode levar à solicitação de revisão do julgamento contra Alberto Stasi. A hipótese de revisão será agora avaliada à luz dos novos elementos técnicos e das conclusões periciais reunidas nesta fase.

Trata‑se de um capítulo intermediário de uma história ainda sujeita a desdobramentos: a documentação agora notificada irá balizar as próximas decisões judiciais, entre pedidos de revisão, possíveis denúncias formais e ações de defesa. A apuração prossegue com o rigor técnico esperado: cruzamento de laudos, confronto de versões e controle estrito das provas, passos imprescindíveis para uma solução definitiva do Caso Garlasco.

Apuração in loco, cruzamento de fontes e exposição dos fatos brutos: assim se desenvolve a etapa que pode reescrever a narrativa jurídica sobre a morte de Chiara Poggi.