Caso Garlasco: defesa de Andrea Sempio apresenta primeiras consulências em 72 horas para rebater acusações

Defesa de Andrea Sempio entrega em 72h laudos para contestar provas no caso Chiara Poggi: antropometria, datiloscopia, BPA e limpeza de áudios.

Caso Garlasco: defesa de Andrea Sempio apresenta primeiras consulências em 72 horas para rebater acusações

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Caso Garlasco: defesa de Andrea Sempio apresenta primeiras consulências em 72 horas para rebater acusações

O cerco no caso Garlasco aperta-se com cronograma definido: em 72 horas, na próxima sexta-feira, 22 de maio, a defesa de Andrea Sempio entregará as primeiras consulências técnicas contratadas para contestar o indiciamento pelo homicídio de Chiara Poggi. A investigação, concluída pela Procura di Pavia em 7 de maio, seguirá agora com as perícias de parte previstas pelos advogados do suspeito.

Os defensores — Liborio Cataliotti e Angela Taccia — informaram que os laudos encomendados serão protocolados dentro do prazo legal de 20 dias após a notificação do encerramento das investigações, conforme previsto no código de processo penal. As peças periciais servirão de base para a memória da defesa e, subsidiariamente, para avaliar eventual pedido de interrogatório do acusado, que se declara inocente desde o início do caso.

Segundo o inventário apresentado pelo advogado Cataliotti, trata-se de um conjunto de contra-perícias em vários campos: uma avaliação médico-legal sobre as causas e o tempo da morte; uma perícia antropométrica destinada a confrontar as dimensões do pé de Andrea Sempio com as marcas encontradas na cena; exames datiloscópicos complementares relativos à chamada impronta 33; análise aprofundada das manchas de sangue (reprodução da BPA — Bloodstain Pattern Analysis) para reconstituir a dinâmica do crime; e intervenções técnicas para “limpar” e tornar inteligíveis os áudios das interceptações ambientais considerados pouco compreensíveis.

Em particular, a defesa anuncia um suplemento de exame datiloscópico sobre a impronta 33, localizada na parede da escada próxima ao local onde o corpo de Chiara Poggi foi encontrado. A hipótese da acusação aponta que a marca seria da mão úmida de Sempio ao se apoiar no corrimão; a defesa, por sua vez, contesta essa atribuição e defende o cruzamento com outra marca, a chamada impronta 45, situada junto a uma pequena mancha de sangue.

Cataliotti enumera ainda que a bateria de exames incluirá reprodução e reavaliação dos vestígios biológicos identificados pela equipe de investigação, visando demonstrar inconsistente ou improvável o nexo direto entre as provas encontradas e o seu cliente. A estratégia técnica é clara: reduzir a margem de certeza das inferências periciais que embasaram o indiciamento.

No mesmo tabuleiro processual, avança a possível abertura de um procedimento de revisão do julgamento de Alberto Stasi — então namorado de Chiara e condenado em definitivo a 16 anos de prisão — solicitada pelos procuradores de Pavia à Procuradoria-Geral de Milão. A procuradora generale Francesca Nanni advertiu que a análise do pedido e eventual decisão de remeter a questão à Corte d'Appello de Brescia exigirão tempo e exame minucioso das peças.

O caso permanece classificado pela Procuradoria de Pavia como de elevada gravidade: a perícia inicial já deduziu que Chiara Poggi teria lutado com seu agressor. Agora, a disputa técnica entre os peritos de acusação e defesa promete redesenhar pontos cruciais da narrativa forense. Em campo, a defesa aposta na soma de laudos para fragilizar o quadro probatório e forçar reavaliações judiciais.

Apuração in loco e cruzamento de fontes permanecem em curso. A pauta das próximas 72 horas será decisiva para a fase processual seguinte: fatos brutos, provas técnicas e o confronto direto entre perícias.