Caso Garlasco: defesa de Andrea Sempio diz que interceptações não são confissões
Defesa de Andrea Sempio apresenta contraperícias e afirma que interceptações não constituem confissão no caso Garlasco.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Caso Garlasco: defesa de Andrea Sempio diz que interceptações não são confissões
Em novo capítulo do processo pelo assassinato de Chiara Poggi, a defesa de Andrea Sempio apresentou ontem uma série de contraperícias e materiais destinados a fragilizar a tese da Procura de Pavia. A estratégia dos advogados é desconstituir, ponto a ponto, os elementos apresentados pelo Ministério Público e reforçar a inocência do réu, acusado do homicídio ocorrido na manhã de 13 de agosto de 2007.
Os laudos depositados na Procuradoria, segundo a defesa, sustentam que os monólogos gravados por meio de interceptações enquanto Sempio estava ao volante há mais de um ano “não são confissões”. Peritos nomeados pela defesa - entre eles o criminólogo Armando Palmegiani, o médico legista Sabino Pelosi e a bióloga Marina Baldi - contestaram as reconstruções propostas pelo procurador adjunto Stefano Civardi e pelas promotoras Valentina De Stefano e Giuliana Rizza, usadas como base pela acusação.
Na contestação formal, os defensores afirmam que a suposta admissão de culpa carece de fundamento por três motivos principais: primeiro, o monólogo de 14 de abril de 2025 aparece acompanhado da afirmação dirigida a uma amiga — “qui ci ascoltano”, ou seja, que estavam sendo ouvidos — o que, segundo o advogado Liborio Cataliotti, altera o contexto comunicativo; segundo, não há elementos novos em relação ao debate que já circulava em redes e fóruns; terceiro, Andrea teria reproduzido, nos seus monólogos, narrativas e interações já presentes nesses ambientes digitais, e não apresentado uma confissão autêntica e espontânea.
A defesa também atacou a valoração das evidências físicas. A conhecida marca de soleira de uma sapatilha identificada como uma suola com pallini — atribuída pela acusação a um modelo da marca Frau —, chamada nas peças técnicas de impronta 33E, foi alvo de análise: segundo os peritos de Sempio, a conformação do pé do acusado não é compatível, em particular no que tange à largura, com a impressão deixada na cena do crime. Igualmente, a chamada traccia palmare 33 foi considerada não atribuível e não vinculada de forma conclusiva à ação homicida.
Os arquivos de áudio entregues pelos defensores visam contextualizar os monólogos interceptados, apresentando-os como fragmentos inseridos num fluxo mais amplo de interações públicas e privadas. A defesa ressalta que, exceto por uma perícia relacionada à personalidade do investigado — cujo inquérito foi encerrado em 7 de maio —, as demais contraperícias foram protocoladas e estão agora em análise pela autoridade judiciária.
Até o momento, não está prevista a realização de interrogatórios imediatos; o caminho apontado pela defesa e pela acusação inclui a produção de relatórios técnicos e a possibilidade de um incidente probatório em sede de audiência preliminar. Em declarações ao longo do processo, Sempio afirmou que o caso acabou tornando-se, aos olhos do público, “como uma soap opera”, referindo-se ao acompanhamento nas redes: “Nelle chat mi seguono”.
O confronto entre perícias marca agora a etapa decisiva do processo. A defesa aposta na fragilidade probatória das interceptações e na contestação técnico-forense das evidências materiais para abrir fissuras na construção acusatória da Procura de Pavia. A apuração prossegue com o cruzamento de fontes, análise técnica e acompanhamento processual rígido, sem margem para especulações: os próximos atos serão determinantes para a definição do rumo do caso Garlasco.