Caso Regeni: família lutou a mãos nuas contra o Egito, diz advogada em audiência em Rebibbia
Na audiência em Rebibbia, a advogada diz que a família Regeni lutou a mãos nuas contra o Egito e exige verdade e justiça pelo assassinato de Giulio Regeni.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Caso Regeni: família lutou a mãos nuas contra o Egito, diz advogada em audiência em Rebibbia
Entrando na audiência realizada no bunker do cárcere de Rebibbia, a advogada Alessandra Ballerini abriu sua fala lembrando que “ontem tivemos as solicitações de condenação. Um passo importante, fruto de uma reconstrução excepcional. Hoje é a nossa vez, diremos nosso ponto de vista”. A sessão refere-se ao processo em curso pelo assassinato de Giulio Regeni, com acusações dirigidas a agentes dos serviços de inteligência do Egito. A secretária do PD, Elly Schlein, participou da audiência.
O tom da intervenção de Ballerini foi técnico e direto, com ênfase no acúmulo de provas apresentado pelos procuradores e na ausência de colaboração do governo egípcio. O procurador de Roma, Francesco Lo Voi, reiterou em seu pronunciamento que o Cairo manteve condutas de não cooperação, ponto destacado pela defesa como elemento que compromete o esclarecimento completo dos fatos.
No comando de uma peça processual construída ao longo de anos de investigação, os representantes do Ministério Público descrevem um quadro no qual Giulio Regeni morreu após sofrer “atrozes sofrimentos”, com torturas que, segundo a acusação, teriam se prolongado por uma semana. A narrativa oficial apresentada na fase de instrução traça um percurso de violência física e sistemática que culminou na morte do pesquisador.
A advogada Alessandra Ballerini traçou o perfil de Giulio como um pesquisador: “Giulio dedicava o tempo à convivência com os amigos; Giulio era um pesquisador, não uma espião nem um conspirador. Não tramava contra o regime, não era um ingênuo. Giulio não foi buscar isto; Giulio se fazia e fazia perguntas”. A defesa sublinhou que a perda de Regeni configurou um dano para toda a sociedade: “Em todos estes anos eu compreendi quem perdeu a Itália perdendo Giulio: perdemos todos”.
Em seu discurso, Ballerini descreveu a trajetória da família Regeni como uma luta contínua e digna. “A família Regeni lutou a mãos nuas contra o regime egípcio, mas não perdeu nem um átomo de dignidade”, afirmou. A advogada destacou que os pais — Paola e Claudio —, a irmã Irene e os amigos da vítima depositaram na sala de audiência sua dor e seu pedido inequívoco por verdade e justiça. “Não se deixaram contaminar pelo ódio; não buscaram vingança, exigiram apenas verdade e justiça”, disse.
Ballerini lembrou também dos sofrimentos que acompanharam a família desde o desaparecimento de Giulio: encontros constrangedores com representantes governamentais, ameaças, perseguições e a pesada rotina de confrontos institucionais, inclusive interações com representantes egípcios. “Nada foi poupado à família”, resumiu a advogada, ao chamar a atenção para a dimensão humana e política do processo.
Ao fim da intervenção, a defesa pediu que o processo transforme a acumulada dor em medidas de responsabilização: um pedido por providências penais e por reparação simbólica e material diante do que foi descrito em juízo. A sessão em Rebibbia prosseguirá com os demais argumentos de defesa e produção probatória. A apuração foi feita por cruzamento de fontes judiciais e depoimentos colhidos no curso da instrução — a realidade traduzida em fatos brutos, apresentados agora em juízo para que a narrativa policial e diplomática seja submetida ao crivo da Justiça.