Caso Roggero: ANM denuncia ameaças e insultos a magistrados após sentença definitiva

ANM denuncia ameaças e insultos a magistrados após confirmação da sentença no caso Roggero; defesa pede diferimento e joalheria reabre sob supervisão da família.

Caso Roggero: ANM denuncia ameaças e insultos a magistrados após sentença definitiva

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Caso Roggero: ANM denuncia ameaças e insultos a magistrados após sentença definitiva

Em apuração e cruzamento de fontes, a Associazione nazionale magistrati (ANM) denunciou publicamente que, após a confirmação da sentença no caso Roggero, magistrados passaram a receber ameaças, insultos e mensagens de ódio. Em comunicado, a direção executiva do sindicato das toghe sublinha que os ataques se deram enquanto os juízes apenas cumpriam a aplicação da lei do Estado no julgamento sobre homicídio e sobre a legítima defesa.

"Estamos ao lado dos colegas piemonteses que emitiram as sentenças de primeiro e segundo grau, assim como dos magistrados da Corte di Cassazione que as confirmaram", afirmou a ANM na nota divulgada esta semana. O sindicato pede maior responsabilidade a ocupantes de cargos institucionais, advertindo que o tom adotado no debate público pode alimentar tensões e degenerar em clima de intimidação.

Segundo o mesmo comunicado, "a crítica é legítima, mas alimentar uma narrativa que identifique nos magistrados um alvo a ser golpeado significa contribuir para um clima que pode degenerar em ódio e intimidação". A nota faz ainda referência a um recente relatório da Comissão Europeia que teria apontado sinais de delegitimação do Poder Judiciário em discussões públicas.

No plano processual, a defesa de Mario Roggero apresentou uma petição ao Tribunale di sorveglianza di Milano solicitando o diferimento da pena, enquanto aguarda a análise do pedido de grazie já apresentado pela esposa. Depois de receber, na noite anterior, notícias sobre a transferência dos autos de Turim para Milão, o advogado reencaminhou via PEC a solicitação de diferimento aos magistrados milaneses.

O Ufficio di sorveglianza de Milão, contudo, restituiu os autos à Turim, entendendo que a competência permanece na capital piemontesa, uma vez que a petição de diferimento foi proposta quando o réu, então com 72 anos, ainda se encontrava em liberdade. A decisão administrativa respeita rigor técnico-processual, conforme o despacho que devolveu os documentos ao foro de origem.

Mario Roggero foi condenado em definitivo a 14 anos e 9 meses de prisão pela morte de dois assaltantes e pelo ferimento de um terceiro, ocorridos após um assalto à sua joalheria em Grinzane Cavour, no Cuneese. A sentença definitiva gerou intenso debate político e midiático nas últimas semanas.

A joalheria reabriu as portas nesta manhã. Enquanto o condenado cumpre a pena no presídio de Bollate, a administração da loja ficará a cargo da esposa, Mariangela Sandrone, e de uma das quatro filhas do casal. Em visita ao marido ontem, a esposa declarou: "Vi meu marido, ficamos juntos por três horas. Compatibilmente com o cárcere, ele está bem. É absurdo que uma pessoa de 72 anos, que sempre trabalhou, tenha de passar por isso. Estamos aqui desde 1980; não é normal. Parece um pesadelo. Espero que em breve ele possa voltar para casa, não deveria estar na prisão".

A apuração in loco e o cruzamento de fontes desta redação confirmam que o caso permanece sob litígio jurídico e político, e que as instituições envolvidas adotam medidas processuais previstas em lei. A ANM conclui pedindo maior cuidado nas palavras por parte de representantes públicos, para evitar que o debate público se transforme em hostilidade dirigida aos aplicadores da lei.