Castellucci diz que atuou dentro dos limites de conhecimento no caso do colapso do Ponte Morandi
Castellucci afirma que atuou dentro dos limites técnicos no caso do Ponte Morandi e nega ter assumido decisões técnicas sobre o Polcevera.
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Castellucci diz que atuou dentro dos limites de conhecimento no caso do colapso do Ponte Morandi
Giovanni Castellucci, ex-administrador da Autostrade per l’Italia, afirmou em declarações espontâneas, transmitidas por videoconferência desde o presídio onde cumpre pena pelo desastre do viadotto Acqualonga, que agiu sempre "nos limites das suas competências" durante o período que antecedeu o colapso do Ponte Morandi. As falas foram proferidas ao final da discussão do processo relativo à tragédia.
Na sua exposição, Castellucci disse ser difícil imaginar hoje o que poderia ter feito de forma diferente, dado o que conhecia e a experiência técnica de que dispunha na época: "Per me è difficile immaginare cose che avrei dovuto fare diversament... nei limiti delle mie conoscenze e delle mie competenze", declarou, ressaltando repetidamente a noção de limitação técnica pessoal.
O ex-diretor executivo relatou ter convocado ao redor da mesa os principais atores que conheciam o viaduto e ter oferecido todo o suporte necessário a quem estava responsável pelas operações no terreno. Segundo Castellucci, forneceu respaldo à equipe de Bergamo para planejar e executar intervenções consideradas oportunas: "penso di aver dato tutto il conforto a Bergamo per operare in maniera piena come responsabile di area", afirmou, numa linha de defesa que enfatiza o papel de coordenação e não de protagonismo técnico.
Sobre a gestão do rio e da estrutura na área do Polcevera, ele foi taxativo: nunca assumiu a responsabilidade direta porque tinha ciência de seus limites técnicos. "Não assumi nunca a condução do Polcevera – disse – porque eu conhecia os meus limites de competências. Para gerir obras complexas é necessária uma experiência histórica que eu não tinha". Reforçou que essa limitação não derivava de falta de tempo, mas da ausência da bagagem técnica e operacional específica que a manutenção exigia.
Castellucci sustentou que teria sido irresponsável interferir em decisões técnicas ao começar a dar indicações sem possuir a experiência necessária. Afirmou que considerou correto não entrar nas escolhas técnicas, lembrando que existia uma estrutura com responsáveis específicos pelas intervenções. "Eu fiz apenas o que qualquer operativo espera de um ad: tornar evidente aos técnicos que não era só eu, mas também o conselho de administração, que estávamos tranquilos em conduzir certas ações", declarou.
Enquanto diretor-geral interino, disse ter privilegiado o debate sobre projetos a realizar e que, por essa razão, o nome do Ponte Morandi também foi tema em reuniões. Reiterou que o objetivo era trabalhar melhor, mais rápido e de forma coordenada com a direção de tronco, sem economizar, "fazer antes e bem".
As declarações do ex-administrador chegam no contexto mais amplo do processo que apura responsabilidades pelo desastre, e foram registradas como parte da sua defesa. Castellucci cumpre pena pelo episódio do Acqualonga, circunstância que foi mencionada ao abrir a sessão de suas falas.
Em termos factuais, manteve a linha de defesa já conhecida: reconhecimento das limitações técnicas pessoais, ênfase na atuação de equipes especializadas e na existência de uma hierarquia de responsabilidades técnicas dentro da concessionária. A audiência prossegue agora com a análise das evidências e dos depoimentos correlatos ao colapso.