Centenário do INPGI: exposição “A schiena dritta” reconstrói a história do jornalismo italiano
Exposição “A schiena dritta” do INPGI reconta o jornalismo italiano; prorrogação até 2/06/2026, abertura especial em 23/05. Entrada gratuita.
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Centenário do INPGI: exposição “A schiena dritta” reconstrói a história do jornalismo italiano
Por Giulliano Martini — A mostra “A schiena dritta”, organizada pelo INPGI (Instituto Nacional de Previdência dos Jornalistas Italianos) para assinalar o centenário da entidade e com o patrocínio do Ministério da Cultura, teve sua permanência prorrogada até 2 de junho de 2026. A prorrogação coincide com os 80 anos da República e prevê abertura extraordinária no sábado, 23 de maio, data do aniversário da tragédia de Capaci.
Inaugurada em 24 de março pelos dirigentes do instituto — o presidente Roberto Ginex e a diretora-geral Mimma Iorio — em cerimônia que contou com a presença da subsecretária Lucia Borgonzoni, a exposição está em cartaz em Roma, nas salas da Fundação Paolo Murialdi (via Nizza, 35). Segundo levantamento da organização, já passaram pela mostra mais de 1.500 visitantes, entre público individual, grupos e escolar.
A curadoria reuniu mais de 60 peças que traçam um painel do jornalismo italiano desde os anos 1960 até o início do milênio. Entre os objetos em exibição destacam-se fotografias do fotorepórter Franco Lannino, uma antiga máquina telefoto, e a câmera pertencente a Miran Hrovatin, morto ao lado de Ilaria Alpi em Mogadíscio em 20 de março de 1994. Outro conjunto de grande impacto é formado por quatro máquinas de escrever de responsabilidade de fiduciários do INPGI, incluindo uma que pertenceu a Giancarlo Siani.
O acervo integra ainda um vídeo histórico sobre o próprio INPGI, três painéis em preto e branco em material forex, e uma urna contendo documentos institucionais, atas e páginas de jornais da época. A mostra se propõe a oferecer uma reflexão sobre a profissão jornalística, centrando-se nos repórteres como protagonistas e nas múltiplas pressões — políticas, criminais e econômicas — enfrentadas por quem relata os fatos com precisão e coragem. A narrativa resultou de apuração in loco e do cruzamento de fontes documentais.
Há também um memorial que relembra os jornalistas mortos no exercício da profissão. A lista inclui figuras do jornalismo de investigação e da cobertura de risco: Cosimo Cristina (considerado o primeiro repórter assassinado pela máfia, em 1960), Mauro De Mauro, Giovanni Spampinato, Peppino Impastato, Mario Francese, Giuseppe Fava, Mauro Rostagno, Beppe Alfano. Além desses, a exposição recorda sacrifícios emblemáticos como os de Walter Tobagi, Giancarlo Siani, Ilaria Alpi e Maria Grazia Cutuli, assassinada no Afeganistão em 2001, e figuras-símbolo como Giuseppe Quatriglio, autor que cobriu o terremoto do Belìce em 1968.
O evento é aberto ao público até 2 de junho de 2026. Horário de funcionamento: todos os dias, exceto 24 e 31 de maio, das 9h às 17h. Entrada gratuita. A mostra funciona não apenas como coleção de objetos, mas como instrumento de memória e debate público sobre as condições do trabalho jornalístico e a proteção social da categoria, aspectos centrais no aniversário do INPGI e no contexto do Estado republicano.
Para imprensa e operadores: a visita de referência e o inventário das peças foram verificados pela redação, com checagem direta das legendas e dos materiais depositados na Fundação Paolo Murialdi. A exposição permanece uma fonte importante para pesquisadores e para quem busca entender, em termos concretos, o custo humano da informação e as estruturas institucionais que o sustentam.