Coreia do Sul transforma onda cultural em exportação de K-Beauty e novo K-Lifestyle

Coreia transforma K-Beauty em K-Lifestyle, ampliando exportações de cosméticos e levando hábitos coreanos à Europa.

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Coreia do Sul transforma onda cultural em exportação de K-Beauty e novo K-Lifestyle

Por Giulliano Martini — A Coreia do Sul, que há anos se notabiliza por exportar cultura popular — do K-Pop aos K-Drama e ao cinema premiado internacionalmente — aposta agora em converter essa atração cultural em consumo diário e estilos de vida. A estratégia ficou clara na K-Brand Glow Week realizada em Roma, onde governo, agências e empresários apresentaram um plano coordenado para levar produtos e hábitos coreanos ao mercado europeu.

O evento não foi apenas uma vitrine comercial: representou uma ação deliberada do Ministério das PMEs e Startups da República da Coreia (MSS) e da Korea SMEs and Startups Agency (KOSME), com participação de atores locais como RAUM e Milan Loves Seoul. A proposta é acompanhar startups e pequenas empresas durante a entrada na Europa, convertendo a curiosidade gerada pela Hallyu — a onda cultural coreana — em oportunidades de consumo e presença cotidiana.

Os números sustentam a ambição. No primeiro trimestre de 2026, as exportações de cosméticos sul-coreanos alcançaram 3,1 bilhões de dólares, alta de 19% frente ao mesmo período do ano anterior, configurando um recorde trimestral. Em 2025, o setor registrou 11,4 bilhões de dólares em exportações, colocando a Coreia do Sul como o segundo maior exportador mundial de cosméticos, atrás apenas da França e à frente dos Estados Unidos.

“Acredito que o interesse pela nossa cultura também vem dos drama transmitidos e dos filmes que se tornaram populares. Muitos europeus se interessam pelos produtos e pelas roupas usadas por celebridades coreanas. Agora esse interesse está se ampliando para bens de consumo e turismo na Coreia”, afirmou um dos organizadores do evento, Bada Kim, em declaração que reflete a leitura institucional da estratégia.

Para Bada Kim, o triunfo da K-Beauty se deve à capacidade de inovação contínua e à segmentação do mercado. “Na Coreia existe forte concorrência tanto em ingredientes quanto em produtos. Hoje as marcas são muito variadas e podem responder às exigências de diferentes grupos de consumidores”, explicou, destacando a dinamicidade do setor.

Jiae Yang, diretora da KOSME na França, sintetizou o movimento: “A Coreia exporta K-Beauty mas também K-Lifestyle”. Para Yang, o êxito comercial nasce do interesse cultural cultivado nos últimos anos pelos conteúdos coreanos. Ainda assim, ela advertiu que a Europa apresenta desafios específicos: “Precisamos compreender as características culturais dos diferentes países europeus. Não basta vender online; é preciso explicar como usar o produto e contar a cultura por trás dele”.

Na base da indústria está uma filosofia produtiva centrada em ingredientes e tradições locais. O empresário James Bum recordou o papel do Hanbang — a medicina tradicional coreana — e a preferência por componentes naturais, com foco em reduzir ao máximo substâncias químicas, o que se tornou um trunfo comercial e de confiança junto ao consumidor.

O movimento visto em Roma revela um plano de longo prazo: transformar reconhecimento cultural em hábitos de consumo e presença comercial sustentável na Europa. A aposta governamental e a articulação com atores privados sinalizam que a Coreia do Sul não busca apenas exportar cosméticos, mas consolidar um K-Lifestyle que influencie moda, beleza, gastronomia e turismo.

Apuração in loco, cruzamento de fontes institucionais e dados de exportação confirmam a intenção estratégica: a onda cultural coreana está em transição para um modelo de exportação integrado, que alia soft power e cadeia produtiva para conquistar mercados além do entretenimento.