Crosetto alerta para o risco de "loucura" com a guerra no Irã: "Não aprendemos nada com Hiroshima"

Crosetto alerta que a guerra no Irã pode degenerar em 'loucura' e critica o enfraquecimento do multilateralismo e o risco nuclear.

Crosetto alerta para o risco de "loucura" com a guerra no Irã: "Não aprendemos nada com Hiroshima"

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Crosetto alerta para o risco de "loucura" com a guerra no Irã: "Não aprendemos nada com Hiroshima"

Em entrevista ao Corriere della Sera, o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, advertiu para a gravidade da atual escalada no Oriente Médio e classificou o cenário em torno da guerra no Irã como inédito nas últimas décadas. Com a objetividade de quem monitora flashpoints globais, Crosetto ressaltou a acumulação de fatores de risco que se autoalimentam e fragilizam os mecanismos multilaterais.

"Eu espero que todos se deem conta do que estamos vivendo", afirmou o ministro, referindo-se ao novo ultimato de Donald Trump. Crosetto citou uma "soma de criticidades" que torna cada vez mais difícil encontrar soluções coletivas: para ele, o multilateralismo mostrou-se incapaz de incorporar as lições do século XX e não construiu defesas institucionais adequadas para responder ao atual risco.

O ministro expressou preocupação com a possibilidade de agravamento: "O que já é dramático pode precipitar-se ainda mais". Em tom direto, lembrou que a humanidade já demonstrou que "não existe limite à follia": decisões extremas do passado — citando Hiroshima e Nagasaki — comprovam que, em nome do fim de um conflito, foram aceitos meios inaceitáveis. "Purtroppo continuiamo ad avere armi nucleari e chi non le ha le cerca. Não aprendemos nada", disse Crosetto, traduzindo aqui a condenação da lógica que legitima o uso de poder absoluto.

Segundo o ministro, o padrão do conflito atual é uma dinâmica de escalada em que a "ação corresponde a uma reação de nível superior". Ele também lamentou o enfraquecimento da Organização das Nações Unidas: "A ONU foi deixada morrer lentamente; perdeu toda capacidade de influência e de papel" — avaliação que, segundo a apuração, reflete uma percepção crescente entre diplomatas que acompanham a crise.

Crosetto destacou que, em cenários como o atual, o que conta é a potência militar mais do que a superioridade tecnológica ou econômica. Contudo, lembrou que a duração dos conflitos tem sido determinada pela capacidade de resistência da parte mais fraca — padrão observado na Ucrânia e anteriormente no Afeganistão — e que essa resistência alimenta fenômenos como o terrorismo fundamentalista quando não são aproveitadas lições anteriores.

Sobre o papel do presidente dos Estados Unidos, Crosetto afirmou que "Trump é o líder de uma nação soberana e ninguém de fora é capaz de influenciá‑lo". Quanto a um eventual processo de impeachment, disse não acreditar nessa via e sugeriu que o problema reside na falta de colaboradores dispostos a contradizer o chefe: "Um dos problemas desta presidência é que ninguém ousa contrariar o Capo".

O ministro avaliou que o Irã dos aiatolás, central no integralismo e hostil ao Ocidente, já representava um desafio para a liberdade na região e que a guerra, definida sem confronto e sem legitimidade internacional, acabou por fortalecer esse aparato. "Em termos de tempo e modos teria sido útil menos aproximação", disse, apontando falhas na condução diplomática.

Quanto à União Europeia, Crosetto reconheceu limitações: "A Europa faz o que pode, mas não me parece com sucesso". Ele defendeu que cada país faça a sua parte e ressaltou a posição italiana: "A Itália tomou uma posição séria ao não compartilhar esta guerra, buscando limitar ao máximo os danos". A declaração reforça a tentativa de Roma de se distanciar de alinhamentos automáticos e de preservar uma margem diplomática.

Apuração em cruzamento de fontes e entrevistas revela que a posição de Crosetto é fruto de análises de risco militares e políticas, voltadas a evitar uma escalada descontrolada. Em essência, o recado do ministro é técnico e claro: o mundo está diante de uma combinação perigosa de falhas institucionais, ambições geopolíticas e riscos nucleares — cuja consequência imediata seria a amplificação daquilo que ele define como a própria loucura do conflito.