Docufilm sobre Giulio Regeni retorna a mais de 60 salas após negativa de fundos; ministro Giuli diz não haver censura
Docufilm sobre Giulio Regeni volta a mais de 60 salas após negativa de verbas; ministro Giuli afirma que não houve censura e explica autonomia da comissão.
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Docufilm sobre Giulio Regeni retorna a mais de 60 salas após negativa de fundos; ministro Giuli diz não haver censura
Por Giulliano Martini — O docufilm Giulio Regeni - Tutto il male del mondo, dirigido por Simone Manetti e produzido por Ganesh Produzioni e Fandango, volta às salas italianas após a decisão contro o recebimento de financiamentos pela comissão do Ministério da Cultura. A reapresentação acontece a partir de hoje em mais de 60 salas, com sessões confirmadas em Roma, Milão, Turim, Bolonha e Florença, graças ao impulso do Circuito Cinema.
Em nota oficial, o Circuito Cinema justificou a programação como um ato de memória coletiva: "Ci sono storie che vanno raccontate e immagini che continuano a interrogarci. Giulio Regeni: Tutto il male del mondo è una di queste. Un'opera necessaria, che riapre una ferita ancora viva e sostiene, con forza, la richiesta di verità e giustizia che la famiglia Regeni porta avanti da anni con dignità e coraggio". A entidade acrescentou que o cinema é "memória compartilhada, consciência coletiva, responsabilidade" e que, por isso, decidiu levar o filme novamente às salas para "não esquecer" e para "continuar a pedir verdade e justiça".
A polêmica ganhou dimensão política esta semana, durante o question time na Câmara, após uma interpelação apresentada pelo Partido Democrático. O ministro Alessandro Giuli respondeu a perguntas sobre o episódio e qualificou como "priva di fondamento" a ideia de que o Ministério teria exercido uma vontade de censura ou condicionamento político. Giuli afirmou: "Non condivido né sul piano ideale né morale la scelta sul documentario su Giulio Regeni, ma non è il frutto di una decisione politica. Il ministero non può intervenire".
O ministro detalhou o quadro institucional: por lei, o titular da pasta não exerce e não pode exercer qualquer influência sobre a comissão responsável pela atribuição dos "contributi selettivi". Segundo Giuli, a comissão é composta por 15 especialistas e opera com critérios de rotatividade anual nas suas seções, o que, na visão do ministro, garante "imparzialità, trasparenza e oggettività". Ele ressaltou que os auxílios previstos pela lei de 2026 são atribuídos por meio de procedimentos técnicos, públicos e predeterminados, e que os critérios constam nos editais, centrados em perfis técnico-artísticos e produtivos.
Na resposta parlamentar, Giuli também reafirmou o compromisso do Governo com a busca de esclarecimentos sobre o caso Regeni: "Il Governo non ha interrotto e non intende interrompere la ricerca della verità sul caso Regeni". Para o ministro, é preciso que, em respeito à memória do estudante, o debate observe os fatos e as regras previstas.
Do ponto de vista da cobertura, mantivemos o cruzamento de fontes disponíveis — nota do Circuito Cinema, declaração do ministro em plenário e os dados de produção do filme — para reconstruir o quadro com precisão. A retomada das exibições marca, na prática, a continuidade da presença pública do filme no circuito cultural, independentemente das decisões administrativas sobre financiamentos. A iniciativa também reacende o debate público sobre o papel das instituições culturais, a autonomia das comissões avaliadoras e a relação entre memória, arte e responsabilização política.
As sessões programadas nas mais de 60 salas iniciam hoje; a informação sobre horários e bilhetes pode ser confirmada diretamente junto às programações locais e ao site do Circuito Cinema. Seguiremos acompanhando a repercussão institucional e possíveis desdobramentos em termos de recursos ou contestações formais à decisão da comissão.