El Koudri: e-mails, confissão e perícia informática após ataque em Modena
E-mails antigos, confissão e perícia informática marcam investigação do ataque de Salim El Koudri em Modena; quatro vítimas em estado grave.
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El Koudri: e-mails, confissão e perícia informática após ataque em Modena
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes mostram novos elementos que aprofundam o quadro em torno do ataque ocorrido no centro de Modena no último sábado. Documentos e entrevistas recolhidos pela reportagem confirmam que, já em 27 de abril de 2021, Salim El Koudri enviou uma série de e-mails à Universidade de Modena que revelam indícios claros de problemas psicológicos prévios.
Quatro mensagens, agora sob análise das autoridades e antecipadas pelo jornal Il Giornale, contêm reclamações laborais, pedidos insistentes para obter uma vaga como funcionário administrativo — “Dovete farmi lavorare come impiegato non magazziniere…”, “Fatemi lavorare” — e insultos de teor religioso: “Bastardi cristiani di merda voi e il vostro Gesù cristo in croce lo brucio”, seguidos por uma retratação lacônica: “Mi dispiace per la maleducazione”. A Universidade, procurada pela AGI, preferiu não comentar.
O investigado, um homem de 31 anos de origem marroquina, declara hoje não se recordar de ter remetido aquelas mensagens. Foi o próprio advogado de defesa, Fausto Gianelli, quem relatou à imprensa que o cliente diz não conseguir reconstruir episódios por um quadro de confusão mental e falta de lucidez: “Questo non significa affatto che non le abbia spedite — precisou Gianelli — ma semplicemente che si trova in un tale stato di confusione mentale…”.
Segundo o advogado, a única frase diretamente ligada ao dia do ataque foi uma declaração curta e objetiva: “Ho preso un coltello da cucina, sono uscito di casa e sapevo che quel giorno sarei morto”. Em conversas com seu defensor, o homem teria pedido apenas cigarros e uma Bíblia, segundo relato do próprio Gianelli.
Até o momento, as apurações policiais e judiciais não identificaram elementos que apontem para uma motivação política ou terrorista. “Hanno ricostruito messaggi anche strani, alcuni deliranti nel passato, però nessuna cosa che sembri ricondurre ad una radicalizzazione”, declarou o advogado: não há indícios de que El Koudri fosse religioso praticante, nem de vínculos com redes islâmicas, tampouco vídeos ou materiais que indiquem emulação de um ato terrorista.
Em paralelo, teve início a perícia informatica nos aparelhos apreendidos — telefones, tablets e computadores — com o objetivo de traçar comunicações, buscas e padrões recentes que possam esclarecer motivação e estado mental. A análise técnica é considerada peça-chave para compor o quadro probatório.
No plano judicial, a audiência de validação do flagrante, inicialmente marcada para hoje, foi adiada para amanhã. O homem segue acusado pelo crime de strage, após atropelar cerca de dez transeuntes no centro de Modena, deixando pelo menos dez feridos, quatro em condição gravíssima.
Do ponto de vista institucional, o vice‑primeiro‑ministro Antonio Tajani compareceu à Prefeitura de Modena e encontrou as quatro pessoas que, no sábado, conseguiram deter o autor do ataque. O encontro foi registrado como reconhecimento à ação dos cidadãos que agiram para interromper o ataque e prestar socorro imediato às vítimas.
Fatos brutos, perícia em andamento e cautela investigativa: a realidade traduzida até aqui aponta para um caso marcado por fragilidade psíquica documentada, sem provas de radicalização, e por investigações técnicas que ainda precisam consolidar correlações entre comportamento passado e o episódio de violência.
Continuaremos a acompanhar a evolução das investigações, o resultado da perícia digital e as informações que surgirem na audiência de amanhã, mantendo o padrão de verificação e o cruzamento de fontes indispensáveis para a clareza dos fatos.