Emilia-Romagna aprova lei sobre suicídio assistido e institui normas regionais
Emilia-Romagna aprova lei regional sobre suicídio assistido, cria CoVam e define regras para acesso, prazos e informações ao paciente.
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Emilia-Romagna aprova lei sobre suicídio assistido e institui normas regionais
Em votação que dividiu o Conselho regional, a região da Emilia-Romagna aprovou nesta semana uma lei que regulamenta o acesso ao suicídio assistido. É a terceira região italiana — depois da Toscana e da Sardenha — a transformar em norma regional os parâmetros estabelecidos pela Corte costituzionale, na ausência de uma legislação nacional sobre o tema.
Fontes oficiais da presidência regional citam o governador Michele de Pascale, que afirmou que, diante da paralisação do Parlamento, a região optou por “o instrumento mais forte, mais transparente e mais público” para assegurar uma aplicação uniforme dos princípios constitucionais e regras “mais claras, com maiores garantias” em relação ao passado.
A proposta aprovada, de autoria conjunta de Avs, Pd, Civici e Movimento 5 Stelle e com primeira assinatura de Paolo Trande (Avs), recebeu os votos favoráveis de Pd, Avs, Civici e Movimento 5 Stelle, e os votos contrários de FdI, Forza Italia, Rete civica e Lega. Durante o debate, a linha do centro-esquerda defendeu que a norma é uma recepção direta da jurisprudência da Corte e que complementa, sem contraposição, as políticas de cura paliativa.
O centro-direita classificou a iniciativa como uma “fuga em frente” da administração regional e reivindicou, como prioridade, o reforço das redes de cuidados paliativos. A matéria foi ilustrada em plenário pela relatora de maioria Alice Parma (Pd), pelo relator de minoria Nicola Marcello (FdI) e pelo primeiro assinante Paolo Trande.
No texto aprovado, a norma fixa como objetivos a garantia de procedimentos uniformes em toda a região, prazos compatíveis com as condições físicas dos pacientes e igualdade de acesso. Para operacionalizar essas diretrizes, a lei institui uma Comissão multidisciplinar de avaliação, a CoVam, organizada por Área vasta, responsável por verificar a existência dos requisitos apontados pela Corte costituzionale. A CoVam atuará com o apoio de um parecer não vinculante do Comitê regional de ética clínica.
A lei determina que a procedura seja gratuita e que o paciente tenha recebido informações completas sobre todas as alternativas terapêuticas, inclusive sobre as cures palliative. Antes de chegar ao plenário, o projeto foi objeto de amplo exame na comissão Sanità, presidida por Gian Carlo Muzzarelli, com audiências que ouviam juristas, médicos, sindicatos e associações. Segundo os registros, predominou um apoio substancial entre os interlocutores ouvidos, com a exceção declarada do movimento “Pro vita e famiglia”.
Durante a tramitação em comissão, foram aprovados três emendamentos propostos por Valentina Castaldini; o teor desses dispositivos foi debatido internamente e incorporado ao texto final.
A associação Luca Coscioni saudou a aprovação, descrevendo o resultado como um sucesso diante da “paralisia do Parlamento” no tema, enquanto a discussão política e jurídica sobre a implementação prática da lei deve continuar nas próximas semanas, especialmente quanto à operacionalização da CoVam e à capacitação das estruturas de saúde regionais.
Apuração e cruzamento de fontes: relatório e atas da Assembleia regional, declarações oficiais da presidência da Giunta e registros das audiências na comissão Sanità.