Economia da longevidade: os over 50 já respondem por quase um terço do PIB italiano

A economia dos over 50 soma €714,8 bi na Itália — quase 1/3 do PIB. Cida defende formação contínua e infraestruturas para autonomia e produtividade.

Economia da longevidade: os over 50 já respondem por quase um terço do PIB italiano

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Economia da longevidade: os over 50 já respondem por quase um terço do PIB italiano

Roma, 28 abr. (Labitalia) - A longevidade deixou de ser apenas um fenômeno demográfico para se tornar um dos principais motores econômicos da Itália. É a conclusão central destacada por Stefano Cuzzilla, presidente da Cida, durante a apresentação do volume "Longevity economy. Da Silver a longevity. La grande economia dei prossimi decenni", assinado por Alberto Brambilla, presidente do Centro studi e ricerche Itinerari Previdenziali.

Segundo os dados apresentados, a economia associada aos over 50 soma cerca de 714,8 bilhões de euros, montante que equivale a praticamente um terço do PIB nacional. Esse dado reforça o que Cuzzilla definiu como um paradoxo: apesar de seu peso econômico, a longevidade continua sendo tratada na retórica pública como um problema social e um custo.

"Continuar a considerar o envelhecimento um custo é um erro, antes ainda que social, econômico. Estamos diante de um dos principais motores de crescimento dos próximos decênios", afirmou Cuzzilla. A declaração foi acompanhada por uma leitura direta dos números: a contribuição dos mais velhos ao consumo, ao investimento e às atividades produtivas já configura-se como força estrutural da economia italiana.

As projeções demográficas agravam a urgência do tema. Estima-se que, até 2050, mais de um italiano em cada três terá mais de 65 anos. Para Cida, essa transição não pode ser enfrentada com políticas assistenciais fragmentadas: é necessária uma mudança de paradigma para infraestruturas que garantam autonomia e produtividade aos cidadãos longevos.

"Não servem mais políticas para assistir os senior. Servem infraestruturas para a sua autonomia. Os chamados silver não pedem proteção: pedem instrumentos para permanecer ativos, produtivos e independentes", destacou Cuzzilla. O núcleo da crítica recai sobre o mercado de trabalho: maior longevidade implica mais anos de atividade, mas o sistema produtivo italiano ainda não está equipado para essa gestão.

O risco apontado é o da obsolescência profissional: trabalhadores expulsos do mercado antes de concluírem sua vida ativa enfrentam perda de competências e exclusão econômica. "Sem formação contínua, milhões de trabalhadores correm o risco de ficar fora do mercado bem antes da idade de aposentadoria. Não é um risco futuro: já está em curso", advertiu o presidente da Cida.

Na visão apresentada, a resposta passa por transformar a formação contínua em infraestrutura estratégica do país, e não em responsabilidade isolada das empresas ou dos indivíduos. Sem esse investimento estruturado em competências, a longevidade pode converter-se de oportunidade em fator de desigualdade.

O quadro é ainda mais crítico diante da dupla perda de talentos que a Itália enfrenta: por um lado, a emigração de jovens qualificados; por outro, a expulsão antecipada dos profissionais seniores. Em um contexto marcado por baixa natalidade, a combinação é insustentável. "Valorizar as altas qualificações — dirigentes, quadros, competências seniores — não é uma opção: é condição para permanecer competitivos", concluiu Cuzzilla.

Apuração in loco e cruzamento de fontes sustentam estas conclusões. Os fatos brutos apresentados no encontro dessinam um raio-x do cotidiano econômico italiano: a longevidade deixou de ser um custo a ser administrado e tornou-se variável estratégica para políticas públicas, reforma educacional e plano industrial. A realidade traduzida exige ação imediata: políticas de formação estrutural, incentivos à retenção de competências e infraestruturas que assegurem autonomia aos mais velhos.