Interscâmbio Itália-Alemanha cresce em 2025: +1,2% e sinais de recuperação do comércio bilateral
Interscâmbio Itália-Alemanha sobe 1,2% em 2025: exportações italianas retomam a alta e manufatura puxa recuperação.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Interscâmbio Itália-Alemanha cresce em 2025: +1,2% e sinais de recuperação do comércio bilateral
Apuração da AHK Italien com base em dados Istat revela que o interscâmbio comercial entre Itália e Alemanha voltou a crescer em 2025, atingindo 157,8 bilhões de euros e registrando um avanço de 1,2% em relação a 2024 — o terceiro valor mais elevado já verificado. O levantamento confirma uma inversão de tendência após dois anos de queda, com sinais claros de estabilização nos fluxos comerciais.
Do lado italiano, a exportação retomou trajetória ascendente, ficando em 72,2 bilhões de euros. As importações da Itália a partir da Alemanha somaram 85,6 bilhões, resultando em um saldo comercial favorável a Berlim de 13,4 bilhões de euros. A Alemanha permanece o principal parceiro comercial da Itália; por sua vez, a Itália ocupa a sexta posição entre os interlocutores econômicos da Alemanha, um indicador da profundidade e solidez da integração entre os dois sistemas produtivos.
No recorte setorial, os intercâmbios bilaterais continuam sendo puxados pela manufatura. Os setores com maior dinamismo em 2025 foram:
- Automotivo: +7,3%, totalizando 25,1 bilhões de euros (9,2 bilhões em exportações italianas e 15,9 bilhões em importações).
- Maquinário: +1,5%, com 20,8 bilhões no agregado (9,7 bilhões em exportações e 11,1 bilhões em importações).
- Setor eletrotécnico-eletrônico: +2,3%, total de 18 bilhões (6,6 bilhões em exportações e 11,4 bilhões em importações).
- Agroalimentar: +8,6%, alcançando 20,3 bilhões (11,2 bilhões em exportações e 9,1 bilhões em importações) — terceira alta anual consecutiva.
Pelo contrário, apresentaram retração os fluxos ligados à química de base (-2,1%) e à siderurgia (-0,5%).
No plano territorial, as quatro primeiras regiões italianas por volume de interscâmbio registraram variações positivas. A Lombardia confirma-se como o principal polo, respondendo por cerca de um terço do total, com aproximadamente 52,5 bilhões de euros (+1%), dos quais 19,5 bilhões correspondem a exportações e 33 bilhões a importações. Em seguida vêm o Vêneto (23,9 bilhões, +2,6%), a Emilia-Romagna (19,8 bilhões, +6,5%), o Piemonte (14,3 bilhões, +1,4%) e o Lazio (9 bilhões, +7,1%).
Segundo a análise técnica da AHK Italien, a recuperação observada em 2025 resulta da convergência de fatores: uma retomada industrial em ambos os países; a reação positiva em setores que vinham em dificuldades, como o automotivo; maior previsibilidade proporcionada por acordos sobre tarifas que reduziram riscos; e o fortalecimento do agroalimentar, que acumula três anos de crescimento. A entidade também observa que antecipos de encomendas, motivados por cautela frente a incertezas tarifárias, podem ter temporalmente sustentado os números.
Advertências permanecem. O conflito no Irã e o possível impacto sobre os custos energéticos na Europa constituem ameaças que podem frear a retomada. Diante desse cenário, a análise sublinha a necessidade de políticas industriais coerentes e de longo prazo para garantir resiliência às cadeias produtivas e mitigar riscos externos.
O quadro aferido pela AHK representa, na avaliação jornalística de campo e cruzamento de fontes, um sinal de recuperação mensurável, mas ainda condicionado a variáveis geopolíticas e à evolução da demanda interna e externa. Fatos brutos, portanto, que apontam para estabilização, porém cobram respostas de política econômica para converter recuperação em crescimento sustentável.