Iuvinale (MEF): contexto geopolítico complexo exige estabilidade nas regras fiscais para empresas
Iuvinale (MEF) defende estabilidade nas regras fiscais e reforço da Global Minimum Tax frente a um contexto geopolítico complexo.
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Iuvinale (MEF): contexto geopolítico complexo exige estabilidade nas regras fiscais para empresas
Roma, 18 de março de 2026 — Em um cenário marcado por tensões geopolíticas crescentes, o Governo italiano aposta na manutenção da estabilidade das regras fiscais como pilar para proteger investimentos transfronteiriços. Em discurso no evento Ey Tax Talk 2026, Marco Iuvinale, Diretor de Relações Fiscais Internacionais do Ministério da Economia e das Finanças (MEF), traçou um diagnóstico objetivo sobre os desafios à cooperação fiscal internacional e as implicações para as empresas.
Segundo Iuvinale, o atual contexto geopolítico torna explícita a dificuldade em avançar nas modificações ao comentário da OCSE e em selar acordos internacionais. "Há dificuldades a produzir modifiche al commentario OCSE e arrivare a degli accordi", disse, apontando ainda a emergência de outros foros — em especial as Nações Unidas — que elevam o risco de fragmentação e de duplicação de padrões.
Com base em apuração in loco e cruzamento de fontes, a posição italiana tem sido de procurar preservar ao máximo a certeza normativa. "Nosso objetivo é garantir certeza para as empresas que investem além das fronteiras", afirmou Iuvinale, no que classificou como uma resposta técnica para evitar decisões fiscais divergentes entre jurisdições.
O diretor do MEF também destacou a relevância crescente da discussão sobre a mobilidade de pessoas, fenômeno intensificado após a pandemia. A movimentação transnacional de trabalhadores, segundo ele, criou riscos fiscais substantivos e impõe a necessidade de revisão das regras internacionais no âmbito da OCSE para tratar esse tema de forma estruturada e duradoura.
Outro ponto central da intervenção foi a análise da Global Minimum Tax (GMT), consagrada pelo Pilar 2 da OCSE. Iuvinale relatou que a implementação sofreu um revés em razão do mecanismo de side by side e das solicitações americanas por um regime de coexistência. O acordo alcançado, acrescentou, precisa agora ser consolidado para estabilizar o sistema e preservar a ambição global de combater a erosão da base tributável e o deslocamento de lucros motivado pela baixa tributação.
"Será crucial consolidar o acordo nos meses vindouros e reforçar a Global Minimum Tax por meio de mecanismos de simplificação que beneficiem as empresas chamadas a aplicar o regime", afirmou Iuvinale. Ele reforçou que um mecanismo uniforme em escala global contribui para evitar a fragmentação de escolhas nacionais que ocorreria em caso de insucesso de um sistema comum.
No mesmo encontro, especialistas e profissionais do setor debateram ainda as implicações de tarifas e políticas comerciais sobre a supply chain, os principais vetores de tendência em matéria de fiscalizações e o impacto das decisões da Corte Europeia de Direitos Humanos (Cedu) nas estratégias de compliance. Foram também examinados os perfis de gestão de risco nas relações de subcontratação.
Este relato segue a linha de reportagem de precisão: fatos brutos, cruzamento de fontes e raio-x do cotidiano regulatório, sem conjecturas. A interlocução técnica entre Estado, empresas e organismos multilaterais permanece determinante para reduzir incertezas e preservar ambiente propício a investimentos.


