Iuvinale (MEF): cenário geopolítico complexo exige estabilidade nas regras fiscais para empresas
Iuvinale (MEF) alerta que contexto geopolítico complexo exige estabilidade das regras fiscais para garantir segurança jurídica e investimentos internacionais.
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Iuvinale (MEF): cenário geopolítico complexo exige estabilidade nas regras fiscais para empresas
Roma — Em exposição no Ey Tax Talk 2026, Marco Iuvinale, Diretor de Relações Fiscais Internacionais do Ministério da Economia e das Finanças (MEF), traçou um diagnóstico técnico do atual contexto geopolítico e seus reflexos sobre a cooperação fiscal internacional. A apuração in loco e o cruzamento de fontes apontam para dificuldades concretas na evolução das normas e para riscos de fragmentação regulatória.
Segundo Iuvinale, “o contexto geopolítico é complexo e a dificuldade de avançar na cooperação fiscal internacional é evidente e tangível, tanto porque no âmbito da OCDE existem obstáculos à produção de alterações no comentário da OCDE e à celebração de acordos, quanto porque outros fóruns, como as Nações Unidas, têm-se posicionado, introduzindo riscos adicionais de fragmentação e duplicação de padrões”.
Na leitura técnica apresentada, o governo italiano adotou uma postura de mitigação: procurar preservar ao máximo a estabilidade das regras fiscais para assegurar certeza para as empresas que planejam investimentos transfronteiriços. “Nós, como Itália, nos orientamos nesta fase difícil para manter a estabilidade das regras fiscais, a certeza, portanto, para as empresas que devem investir além-fronteiras”, afirmou Iuvinale.
Outro ponto destacado foi a crescente relevância da mobilidade de pessoas no pós-pandemia. Iuvinale advertiu para os riscos fiscais associados a esse fenômeno e informou que a Itália está empenhada em promover uma revisão das regras internacionais dentro da OCDE para tratar a questão de maneira estrutural e duradoura: “A discussão sobre a mobilidade das pessoas, que é cada vez mais relevante após a pandemia, criou riscos fiscais bastante importantes e estamos trabalhando para promover uma revisão das normas internacionais na OCDE”.
Sobre a Global Minimum Tax (GMT), definida pelo Pillar 2 da OCDE, Iuvinale relatou um recuo vinculado ao mecanismo de side by side e às solicitações dos Estados Unidos por um mecanismo de coabitação. “O acordo encontrado, que deverá ser consolidado, caminha na direção de estabilizar o sistema e de manter a ambição, compartilhada pelos Estados Unidos, de combater o deslocamento de lucros induzido pela baixa tributação”, disse.
O dirigente frisou a necessidade de consolidar e simplificar o mecanismo nos meses seguintes para reduzir custos de conformidade e beneficiar as empresas que terão de aplicá-lo: “É importante que se mantenha porque é um mecanismo uniforme a nível global, que contribui para dar certeza e evitar fragmentação de escolhas nacionais que surgiriam em caso de falha de um mecanismo compartilhado”.
No evento também foram examinados, com profissionais e especialistas do setor, os efeitos dos direitos aduaneiros e das políticas comerciais nas cadeias de abastecimento, as tendências em matéria de fiscalizações e o impacto das decisões da CEDU sobre os procedimentos fiscais, além dos perfis de gestão de risco em relações de subcontratação — fatos brutos e relevantes para o planejamento empresarial.
Apuração e cruzamento de fontes confirmam que o diálogo técnico segue intenso entre governos e organismos internacionais, com foco em estabilidade normativa e previsibilidade para o ambiente de negócios.


